53 espécies ameaçadas têm proteção no Zoo de Brasília; conheça algumas

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O Zoológico de Brasília abriga atualmente 204 espécies de animais, sendo 53 ameaçadas de extinção, entre mamíferos, aves e répteis

A Fundação Jardim Zoológico de Brasília vai muito além de um simples local de exposição de animais. A grande missão do espaço é, na verdade, a preservação de espécies ameaçadas de extinção no Brasil e no mundo. É o que garante Igor Morais, assessor de Conservação e Pesquisa do local.
“A instituição zoológico passou a pensar mais nos animais e menos em exposição a partir de 1975, ou seja, é uma consciência recente, mas que merece cada vez mais atenção. Em Brasília, é nossa total prioridade”, afirma Morais.
O zoo abriga, atualmente, 204 espécies de animais, sendo 53 (ou 25%) ameaçadas de extinção. Dessas últimas, 29 são de mamíferos, 19 de aves e quatro de répteis. “É um número expressivo”, avalia o especialista.
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Projeto com ariranhas é destaque

Para garantir a preservação das espécies, o espaço atua em três frentes: auxílio a órgãos ambientais para tratar de animais resgatados de condições extremas (queimadas, atropelamentos ou tráfico); educação e conscientização; e reprodução.
Nessa última forma de atuação, há trabalhos com animais diversos, como bugio, lobo-guará, mico-leão-da-cara-dourada, mico-leão-dourado, tamanduá-bandeira e zogue-zogue. O destaque, porém, é o programa de reprodução das ariranhas. Desde 1975, 68 animais da espécie nasceram no zoológico e foram inseridos na natureza.
Em extinção, esse animal ocorre somente na Amazônia, em parte do Cerrado e no Pantanal. “Para se ter uma ideia, era um bicho que existia no Brasil inteiro e está desaparecendo. Assim, nosso trabalho é para repovoar as áreas e ter ariranhas saudáveis em todos os lugares”, conta Morais.
Hoje, há apenas uma ariranha no Zoo de Brasília, a fêmea Si, de 15 anos. Ela espera a chegada de um macho que será enviado da Espanha, após articulação de um programa internacional de preservação da espécie sediado na Alemanha e do qual Brasília faz parte.
A tatu Mabu
São 266 funcionários especializados na preservação dos animais, distribuídos nos setores de nutrição, hospital veterinário, bem-estar, de mamíferos, de aves e de répteis e anfíbios, além dos tratadores.
Outra protegida pelo grupo de especialistas é Maria Bonita, ou simplesmente Mabu, fêmea de tatu-canastra (Priodontes maximus), uma espécie raramente vista em ambiente natural atualmente.
Resgatada de um canteiro de obras em Tocantins com apenas 10 dias de vida, ela foi o primeiro filhote de tatu-canastra criado com sucesso por mãos humanas no mundo. Hoje, com 4 anos, Mabu ajuda também pesquisadores a obterem mais informações sobre a espécie, pouco conhecida. “Esperamos que futuramente a gente consiga até fazer uma inseminação artificial para dar continuidade à espécie”, diz.

Juca e Bárbara

Juca é outro morador ilustre. Ele é o único tatu-bola-da-caatinga que vive em zoológico no mundo. Com idade indefinida, ele chegou em 2015, após uma apreensão do Ibama no Piauí. “Infelizmente é uma espécie que só ocorre no Brasil, e a maior ameaça é a caça, pois ele é fácil de capturar. Muita gente recolhe e cria em casa, para depois comer”, conta Morais.
Já a moradora mais antiga do Zoo de Brasília também é de uma espécie ameaçado de extinção. Trata-se de Bárbara, hipopótamo fêmea resgatada em outubro de 1983, que vive com outros três animais como ela, um deles retirada de um circo onde sofria maus-tratos.
“Todo o trabalho em conjunto com as parcerias são uma esperança de renovar as espécies e garantir espaço em diversas áreas. Cada um deles tem extrema importância para o zoológico”, finaliza o especialista.

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