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Campanha “Mulher, não se cale!” chega aos terminais rodoviários

Banners e cartazes espalhados por locais de grande circulação incentivam a denúncia e a


Banners e cartazes espalhados por locais de grande circulação incentivam a denúncia e a conscientização

Por Lúrya Rocha
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Como parte das ações promovidas pelo Governo do Distrito Federal (GDF), a campanha “Mulher, não se cale!” chega, nesta terça-feira (12) às 10h, à Rodoviária do Plano Piloto e aos terminais de ônibus do DF. Para além dos panfletos informativos e banners espalhados pelo local, a iniciativa informa sobre as diversas formas de violência contra a mulher e orienta como combater e denunciar os casos sofridos ou testemunhados. A ação está prevista para ter fim dia 3 de fevereiro de 2024.

A campanha é promovida pela Secretaria da Mulher (SMDF) em parceria com o Instituto Inside Brasil e teve início em setembro nas estações de metrô do DF. Nesta segunda fase, o objetivo é expandir para os terminais rodoviários, com o apoio da Secretaria de Transporte e Mobilidade do DF (Semob). Como locais de grande circulação de pessoas, a Secretaria identificou uma oportunidade e necessidade de propagar ações de conscientização e incentivo à denúncia em casos de violência de gênero.

Em uma conversa emocionante, Danuza Carillo, de 62 anos, contou uma parte de sua história como enfermeira em um lar para mulheres vítimas de violência doméstica, no interior do Goiás. “Eu já estou aposentada, mas vi mulher demais sofrendo por causa dessas violências. Eu vivia na casa de uma senhora que cuidava dessas mulheres, porque ela tinha isso como missão de vida. Chegavam mulheres só procurando por conselhos mesmo, porque não sabiam como sair de um casamento violento, mas chegavam algumas tão machucadas que mal conseguiam andar. Já ouvi os maiores absurdos, as histórias que elas contavam faziam qualquer um chorar”, diz a aposentada e completa com esperança de melhoras no ambiente da rodoviária a partir da implementação da campanha: “Isso (a campanha) pode ajudar, principalmente porque orienta. Existem muitas mulheres por aí que não reconhecem que sofrem violência ou não sabem nem em qual número ligar se precisarem, então acho que é sim muito importante.”

A ação pública também objetiva prevenir e combater todas as formas de violência contra a mulher, seja ela física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral, assim como define a Lei Maria da Penha, através do esforço coletivo de toda a comunidade. “É uma forma de interromper o ciclo de violência em que muitas mulheres estão inseridas. Além disso, contribui para que identifiquem os sinais de abuso e busquem ajuda antes que a situação se agrave”, afirma Giselle Ferreira, secretária da Mulher.

Após sofrer alguns momentos de aflição por conta de importunações, Kássia Brito, atendente de 37 anos, espera que a campanha seja capaz de promover mudanças nas políticas públicas aplicadas nos terminais, assim como nas ações dos funcionários dos locais, que devem receber orientações a respeito da melhor forma de atender vítimas em caso de assédios ou outras violências. “Só aqui na rodoviária, já aconteceu duas vezes de homem passar a mão em mim, isso quando eles não ficam encostando demais em você quando o ônibus está cheio, como se isso justificasse. Uma das vezes procurei ajuda e falei com o cobrador, mas ele me falou que não podia fazer nada e só me orientou a tomar cuidado, mas só tomar cuidado não impede nada disso. Por isso que essa campanha tem que ensinar os funcionários também, tem que explicar qual atitude eles podem, e devem, tomar, principalmente quando uma mulher procurar por ajuda sem saber o que fazer”, relatou Kássia.

Outras mulheres concordaram com a importância da iniciativa abranger toda a comunidade dos terminais rodoviários, sejam passageiros, funcionários ou comerciantes. Para Neide de Oliveira, comerciante na rodoviária do Plano Piloto, a ação precisa ser eficiente e conjunta. “Já vi alguns panfletos rodando aqui, nem tudo do governo, mas muitos falando que precisa denunciar a violência contra a mulher, só que fica só nisso. Acho que essa campanha precisa ensinar de verdade e reprimir os agressores com mais firmeza”, destacou a comerciante.


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Os banners e cartazes informativos vão circular na Rodoviária do Plano Piloto e nos terminais de ônibus do Setor O e Setor QNQ/QNR, em Ceilândia. Além de percorrer Brazlândia, Gama, Planaltina, Samambaia, Sobradinho, Santa Maria, Guará, Riacho Fundo e Vicente Pires.

Por meio da campanha Mulher, não se cale, a SMDF já alcançou diretamente cerca de 100 mil usuários apenas na primeira fase, no metrô, e mais de 130 mil pessoas indiretamente. Como informe principal, vale destacar que o número para denúncia é o 180, disponível 24h por dia gratuitamente, e órgãos especializados como as delegacias da mulher e a Casa Abrigo também estão aptos para receber denúncias e oferecer cuidados às vítimas com ligação gratuita. Vítimas, testemunhas ou terceiros podem fazer a denúncia de forma anônima.



Fonte: JBR

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