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Chuvas prejudicam produção de hortaliças no DF

Excesso de água no solo pode apodrecer as raízes e causar necroses, impactando produção


Excesso de água no solo pode apodrecer as raízes e causar necroses, impactando produção e oferta dos produtos

A produção de hortaliças é uma das mais importantes atividades econômicas do setor rural no Distrito Federal, gerando mais de 30.000 empregos em toda a cadeia produtiva.  No entanto, as frequentes chuvas ocorridas entre dezembro de 2023 e o início deste ano prejudicaram agricultores, que estão lidando com a queda na produção e a perda de nutrientes do solo.

Como explica Scarlett Martinez, engenheira agrônoma, vive-se um momento atípico, com grande volume de chuva concentrada associada a alta temperatura, e isso pode trazer alguns danos para as hortaliças. “Podemos citar o desequilíbrio nutricional, o favorecimento de doenças como fungos e bactérias, abortamento de flor e fruto, mais aplicações fitossanitarias – o que aumenta o custo para o produtor-, dificuldade operacional, entre outros”, destaca a especialista.

De acordo com informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o acumulado esperado para este mês é de 206mm, mas quatro das cinco estações meteorológicas já ultrapassaram esse número.

 

Experiência é o segredo

Crédito: arquivo pessoa de Shoichi Sumida

Quem entende do assunto ou já trabalha com isso há anos, contudo, já está acostumado e conhece formas de passar por essa fase de modo menos maléfico. A engenheira destaca algumas maneiras formas de passar por esse momento. “Existem algumas maneiras de minimizar estes danos como trabalhar com cultivo protegido, que são túneis e estufas, cultivar variedades mais resistentes e adaptadas para o período, fazer um bom manejo de solo para deixar drenado e poroso evitando acúmulo de água e possível lixiviação de nutrientes, adotar práticas de manejo fitossanitário com produtos registrados para suas devidas culturas”, cita.

Tais práticas são, inclusive, algumas das praticadas por Shoichi Sumida, de 53 anos. O produtor da Vargem Bonita contou ao Jornal de Brasília que as chuvas prejudicaram algumas de suas culturas e, por já ter experiência e prevendo o que o período poderia gerar em suas produções, foram plantadas algumas culturas que precisam de um pouco mais de água, como pimentões e tomates. “Também plantamos culturas de risco, como a alface americana, mas, nesse caso, um compensa o outro. Temos a noção de que elas irão estragar e, por isso, plantamos em bem menos quantidades”, compartilha o produtor. “A diversificação é caminho nesse caso de chuva. Cada produtor se prepara da sua forma, cientes de que perderemos muitos produtos, principalmente folhagens. É a natureza e temos que conviver com ela”, completou Sumida. Além da alface, ele também cultiva gengibre.

Wagner Luiz Alves, que também é produtor de folhosas como alface, brócolis e rúcula, trabalha no Núcleo Rural Cabeceira do Valo, próximo à Cidade Estrutural, e conta que o excesso de chuvas os limita até no preparo do solo com o trator. “O excesso de água também prejudica o desenvolvimento de algumas variedades, principalmente com doenças fúngicas e bacterianas, haja vista que nessa época a temperatura também se eleva na região”, avaliou o produtor. De modo a se preparar, ele expõe que, nessas épocas, recorre a manejos como controle biológico e alguns químicos para controle de plantas invasoras. “Utilizamos também plantas melhoradas para períodos de chuvas”, revelou. “A produção significativamente reduzida. Nossa perda chega a atingir 30%, e algumas culturas 50% ou mais. As plantações mais sensíveis são brócolis, rúcula e alface americana”, acrescentou Wagner.


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Conforme ressalta Adriana Nascimento, engenheira-agrônoma e coordenadora de Operações da Emater-DF, as chuvas são muito bem-vindas, mas quando é demais elas são muito danosas às lavouras, principalmente para as culturas folhosas e mais sensíveis. “O excesso de umidade pode ser muito prejudicial às plantas com perdas de até 100% da lavoura”, explicou.

Uma vez que acometida a lavoura com excesso de chuvas ou chuvas muito fortes, vários são os danos que podem causar. Além dos fisiológicos e biológicos já citados, a especialista chama atenção também para as consequências mecânicas. “O impacto da chuva pode ser tão forte que chegará a rasgar folhas e quebrar ramos, além de provocar a perda fotossintética, pela perda de área foliar, o que pode ser também porta de entrada para os microrganismos”, pontuou Adriana.

 Produtor do Núcleo Rural Taquara, Geraldo Honório de Jesus também adapta suas culturas para produtos menos afetados pela água. “ Na chuva eu planto pimentão. Ele sobe de preço mas eu produzo menos. Eu tenho que fazer mais pulverizações para poder controlar as doenças e só planto pimentão com resistência”, ressalva. “Mas nessa época o tomate também fica bom de preço, aí eu planto ele na estufa, que tem a cobertura que protege da chuva. Assim ele fica com muito mais qualidade tendo maior tamanho, peso, cor e valor agregado”, comenta.

 


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Impactos no bolso

 

Tal cenário não afeta apenas os empreendedores da capital, mas também os consumidores que, na hora das compras, encontram os produtos mais caros e com a qualidade afetada, especialmente as hortaliças. “Somando esses fatores, temos a queda de  produtividade e qualidade, consequentemente atuando na oferta e demanda do mercado. Com a queda de produtividade, a tendência é diminuir a oferta e o consumidor final pagar um pouco a mais”, salienta a agrônoma Scarlett.

Crédito: Arquivo pessoal de Geraldo Honório

As idas ao mercado, como explica o economista Renan Silva, serão impactadas diretamente pelo período chuvoso, ao passo que a principal ligação entre as chuvas na lavoura e o bolso dos consumidores está na influência que o clima tem sobre a produção agrícola. “Alterações climáticas significativas, como períodos de estiagem ou chuvas excessivas, podem afetar diretamente os rendimentos das colheitas, o que, por sua vez, impacta a oferta de produtos no mercado”, pondera.

Como ele explica, quando ocorrem chuvas muito acima ou muito abaixo da média necessária para o bom desenvolvimento das culturas, isso pode resultar em perdas na produção. “Com a oferta reduzida, os preços dos alimentos tendem a subir, pois a demanda por esses produtos continua constante ou até mesmo aumenta, dependendo do período do ano”, pondera Renan.


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Conforme esclarece o economista, em períodos de baixa produção devido a problemas climáticos, o consumidor poderá perceber um aumento nos preços dos alimentos nas prateleiras dos supermercados, e para lidar com esses períodos, ele recomenda a adoção de algumas estratégias na hora de ir às compras:

 

Pesquisar Preços: Fazer uma pesquisa de preços em diferentes estabelecimentos pode ajudar a encontrar os melhores valores para os produtos desejados.


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Produtos da Estação: Optar por frutas, legumes e verduras da estação, que geralmente são mais abundantes e, portanto, mais baratos.


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Substituições Inteligentes: Quando algum item estiver muito caro, procurar por alternativas que possam substituí-lo na alimentação sem grandes perdas nutricionais.

Planejamento de Compras: Planejar as refeições e fazer uma lista de compras pode ajudar a evitar desperdícios e compras por impulso.

Conservação e Armazenamento: Aprender a conservar e armazenar adequadamente os alimentos pode aumentar a durabilidade dos produtos e reduzir a frequência das compras.

 

Comercialização em janeiro de acordo com a CEASA DF

 

Janeiro — fraca (menor oferta do produto, com propensão a elevação de preços)

 

Agrião, alface, couve, couve-flor, repolho, abóbora italiana, berinjela, jiló, maxixe, milho-verde, tomate, alho, batata-doce, beterraba, cará, cenoura, mandioca, abacate, abacaxi, banana (nanica, prata), laranja-pera, mamão formosa, maracujá, melancia, morango e tangerina ponkan



Fonte: JBR

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