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Faltam anestesistas na Rede Pública do DF

Atualmente, o tempo médio de espera ultrapassa 155 dias e há relatos de pacientes


Atualmente, o tempo médio de espera ultrapassa 155 dias e há relatos de pacientes que esperam há mais de um ano

Mesmo com hospitais considerados referência nos procedimentos cirúrgicos de ortopedia, como o Hospital Regional de Planaltina, mais de 2 mil pessoas ainda aguardam a realização de cirurgias eletivas no Distrito Federal, segundo o Mapa Social da Saúde. Esse problema, que afeta toda a rede pública de Saúde, pode ser explicado falta de anestesistas.

Além da fila extensa de pacientes, o tempo médio de espera ultrapassa 155 dias e há relatos de pacientes que esperam há mais de um ano. A faixa etária mais demandante também provoca preocupação, já que quase metade do total de pacientes na fila de espera possui entre 50 e 70 anos. Guenaldo Andrade, de 52 anos, espera pela cirurgia há dois meses, após sofrer um acidente de moto e fraturar a perna.

Mesmo com o tempo de espera menor em relação a outros pacientes, ele conta sobre os desconfortos da demora. “Quando fui internado, primeiro falaram que não ia precisar operar a perna, mas no dia seguinte já falaram que ia precisar sim e que já estava até marcado. No dia da cirurgia disseram que faltou pessoal para fazer a cirurgia e é isso que estão me dizendo ainda hoje. Preciso ficar aguentando dor, ainda dói bastante às vezes”, relata.

Os pacientes, em geral, são vítimas de quedas e de acidentes de trânsito, o que justifica a alta demanda. De acordo com o Portal Infosaúde, em 2023 foram realizados 9.686 procedimentos cirúrgicos do sistema osteomuscular em pacientes internados, uma média de 29 cirurgias por dia nos hospitais públicos do DF. A produção aumentou em relação ao ano passado, em 2022 foram feitos 9.583 procedimentos nesse sentido. A Secretaria de Saúde (SES-DF) informou que existem 249 médicos anestesiologistas em seu quadro de profissionais, entretanto, para suprir a demanda atual, são necessários mais 180 profissionais, no mínimo. Diante da falta de servidores na área, o sistema de saúde prioriza os procedimentos de emergência, urgência e judicializados. Atualmente, as equipes cirúrgicas precisam revezar de acordo com a disponibilidade de anestesistas, o que resulta em salas vagas, mesmo em condições de uso.

Apesar de, como cirurgia eletiva, o procedimento não ter caráter de urgência, ou seja, não caracteriza risco de vida, atrasos podem gerar impactos sérios na saúde do paciente, uma vez que 246 pessoas, 10.7% do total na lista, estão no primeiro grupo de prioridade, com casos mais graves. Em nota, a SES-DF admitiu que há um déficit de anestesistas no Distrito Federal, assim como em todo o Brasil, e garantiu que tem feito inúmeros esforços para o aumento do quantitativo de servidores, inclusive com o chamamento de novos profissionais e ampliação das cargas horárias. A pasta também esclareceu que as cirurgias são realizadas seguindo critérios de gravidade e da disponibilização de RH e leitos para internação, e que, enquanto aguardam pelo procedimento, os pacientes seguem assistidos pelas equipes do hospital.

A suspensão de procedimentos por falta de anestesiologistas, entretanto, é uma realidade pontual da rede pública de saúde. É importante considerar que há até um excesso da mão de obra no DF, que tem a maior proporção de médicos-anestesiologistas do país, mas a rede pública não é atrativa para a atuação. Sobre isso, a Sociedade de Anestesiologia do Distrito Federal (SADIF) destacou que a causa desse déficit de profissionais se deve a falta de condições de trabalho na SES-DF e a carreira médica totalmente defasada, resultando em muitos desses profissionais optando por exercer outras áreas médicas e não-médicas, ou atuar em sistemas particulares. Dessa forma, as soluções viáveis para resolver a problemática seria investir na melhoria das condições de trabalho, ou seja, aparelhos de anestesias e de ultrassonografias novos, bombas de infusão, suporte de UTI, cardiologia e outros insumos e serviços para o fornecimento de um ambiente de trabalho adequado, além de garantir uma melhoria do plano de carreira para ter atratividade ao profissional, ou a contratação de anestesiologistas, seja como pessoa física, ou jurídica, incluindo empresas e cooperativas (modo de organização comum de anestesiologistas).

Essas iniciativas estão sendo tomadas pela SES-DF em conjunto com o Governo (GDF). Por conta da baixa adesão nas últimas tentativas da rede em renomear anestesistas para atuarem como servidores, a secretaria identificou a necessidade da contratação de pessoa jurídica – profissionais individuais, empresas e cooperativas. Também, em julho deste ano, a SES-DF adquiriu 64 aparelhos de anestesia de última geração, que somam um investimento de R$18 milhões, para o atendimento em dez unidades hospitalares do DF.


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A realização de cirurgias ortopédicas ocorre por meio dos atendimentos ambulatoriais e de emergência. Para isso, os pacientes podem buscar os seguintes hospitais: Hospital de Base, Hospital da Região Leste e os Hospitais Regionais de Planaltina, Sobradinho, Gama, Santa Maria, Taguatinga e Ceilândia.



Fonte: JBR

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