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Homens trans e trans masculinos têm, pela primeira vez, a chance de jurar a bandeira

No dia nacional da Visibilidade trans, a Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) realizou


No dia nacional da Visibilidade trans, a Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) realizou um mutirão de alistamento para pessoas trans. Foram 30 beneficiados ao todo que puderam ter acesso a dispensa, indispensável para prestar concurso público, se candidatar a novas vagas de emprego, e retirar o passaporte. O mutirão aconteceu no dia posterior a Marsha trans, evento que ocorreu na esplanada pedindo visibilidade a comunidade transgênero.

Esse, que foi o primeiro mutirão de alistamento militar de homens trans e pessoas transmasculinas, ocorreu, segundo a DPDF, conforme o previsto. Todos os que compareceram haviam realizado uma inscrição prévia, e o evento se encerrou assim que todos foram atendidos, uma hora após começar, com o canto do hino nacional e juramento à bandeira. Realizada com Junta do Serviço Militar da Administração Regional do Plano Piloto foi a primeira ação do tipo em todo o país.

Para o Defensor Público e chefe do NDH/DPDF, Ronan Figueiredo, a realização de mutirões de alistamento militar para homens trans e pessoas transmasculinas é de grande importância. “A ação inclui e reconhece a identidade de gênero, elimina barreiras discriminatórias, promove a diversidade nas Forças Armadas, conscientiza e educa, além de desenvolver políticas inclusivas”, pontuou.

Homens trans são pessoas que foram identificadas como sendo pertencentes ao gênero feminino no nascimento, mas que se reconhecem com o gênero masculino. Já as pessoas transmasculinas foram identificadas com gênero feminino no nascimento e se reconhecem com o espectro do gênero masculino, têm expressão de gênero masculino, mas não se reivindicam da forma com que o ser homem está construído na sociedade, segundo pesquisa da Revista Brasileira de Estudos da Homocultura.

Vinicius Miranda é um homem trans de 31 anos e compareceu ao alistamento no dia 29. Segundo diz, já havia tentado duas vezes antes, mas histórias de amigos seus sobre como era o processo o desanimaram a comparecer. “Eu fiquei com receio, várias pessoas contaram experiências ruins sobre como foi, então eu não fui. Eu fiquei com medo, aflito, ansioso, e em nenhuma das duas vezes eu consegui”, diz. Segundo afirma, se ver como uma pessoa trans em meio a um grupo grande, essencialmente hétero cis, como a instituição militar, gera desconforto, e o faz sentir “cercado”. Cis, ou cisgênero é uma pessoa que se identifica com o gênero que foi imposto ao nascimento.

Essa barreira chegou a, no passado, custar a Vinícius vários passos considerados banais para pessoas cis, como conseguir um emprego. “Eu fui numa entrevista, passei no processo seletivo, mas na hora da documentação eu fui descartado porque eu não tinha dispensa”, afirma.

Para alguém que temia sofrer transfobia em um ambiente assim, mas vislumbrava o momento como inevitável, foi um alívio poder passar por isso cercado não de homens cis, mas trans e transmasculinos. “Estar com outras pessoas trans nesse momento me dá forças, me dá crença e me dá esperança de que eu não vou ser maltratado ou algo do tipo”, diz Vinícius, que atribui o auxílio institucional à causa trans à DPDF, órgão com o qual conseguiu retificar nome e gênero.


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Apesar de um passo acertado para a inclusão de minorias, a comunidade trans observa que há muito a melhorar, e reivindicou isso na Primeira Marsha Nacional da Visibilidade Trans de 2024, realizada no dia 28, véspera da data a que faz referência. “Marsha”, grafada com “sh”, traz a memória da ativista norte-americana Marsha P. Jhonson, que se identificava como travesti e lutou pelos direitos da comunidade LGBTQIAP+ entre o fim da década de 60 e meados da década de 70.

O evento político foi organizado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e pelo Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (Ibrat). As deputadas federais Erika Hilton (PSol-SP) e Duda Salabert (PDT-MG), as primeiras parlamentares federais trans do país, são madrinhas desta marsha.

 


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Fonte: JBR

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