Investimentos alternativos devem chegar a US$ 18 tri no mundo em 2025

Os investimentos alternativos, como são chamados os aportes em ativos que não se enquadram na categoria de investimentos tradicionais como ações, papéis de renda fixa e investimentos de liquidez, devem mais que dobrar no mundo até 2025. De acordo com estimativas da empresa britânica de pesquisa de dados e análises financeiras Preqin, considerando os montantes sob gestão de instituições financeiras e assets, esse mercado deve atingir US$ 18 trilhões daqui a três anos, ante os US$ 8,5 trilhões de 2020. Os dados fazem parte de apresentação da consultoria para a FLAIA (sigla em inglês que designa a associação de investimentos alternativos da Flórida).

São considerados investimentos alternativos investimentos em ativos e fundos imobiliários, comodities, papéis de dívida privada, private equity ou venture capital, hedge funds, contratos de futuros e derivativos além de investimentos em arte, vinhos e antiguidades.

Na avaliação de Cássio Segura, vice-presidente-executivo da boutique de investimentos imobiliários americana YellowFi e ex-presidente do Banco do Brasil Americas, os investimentos alternativos se mantêm como opção para diversificação de carteiras de brasileiros no exterior mesmo diante da maior atratividade da renda fixa decorrente da recente alta da Selic.

Não há uma definição oficial de investimentos alternativos no Brasil. Mas para se ter uma ideia, os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), os fundos de investimento em participação (FIPs) e os fundos de investimento imobiliário (FIIs)  no Brasil.  segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), tinham patrimônio líquido somado de R$ 1,04 trilhão no último dia 10 de dezembro, o equivalente a 15% dos ativos sob gestão no País.

No mercado global, há uma grande variedade de investimentos alternativos já disseminados, como a compra do benefício do seguro de vida de segurados que querem adiantar esses recursos para si, o financiamento de ações judiciais e, mais uma vez, os fundos imobiliários (que oferecem a vantagem de uma garantia real).

“A diversificação por meio dos investimentos alternativos pode ajudar o investidor brasileiro a acessar economias mais fortes e resilientes, como a dos Estados Unidos”, observa Segura.

Para Marson Cunha, diretor de Relações Institucionais e de Pesquisa da Midtown Capital Partners, gestora de recursos que atua nos mercados imobiliários dos EUA e da Espanha, os investimentos alternativos são o caminho natural do desenvolvimento do mercado de capitais global. “Com o objetivo de manejar melhor a relação entre risco e retorno dos portfólios, os gestores já não olham exclusivamente para equities e bonds”, destaca, referindo-se a ações e títulos de dívidas pública e privada. “Assim, cresce o interesse por private equity, imóveis, venture capital, entre outros segmentos”, acrescenta Cunha, ressaltando o papel pioneiro de David Swensen gestor do portfólio da Universidade de Yale, na diversificação com investimentos alternativos — não por acaso, essa abordagem é conhecida como modelo de Yale.

“Em geral, o investidor que aporta recursos em ativos alternativos não precisa de tanta liquidez. Dessa forma, pode usar parte da carteira para obter um ganho mais constante, com boas garantias e com volatilidade menor que a das ações nas bolsas”, complementa Marcelo Castro Alves, diretor da Focus Investment Advisors e da FLAIA.

Embora sejam atraentes para os investidores, os ativos alternativos requerem atenção redobrada à seleção de bons gestores, à medida que esses investimentos, dependendo da classificação, não seguem padrões e exigências regulatórias no mesmo nível dos fundos e das empresas que, por exemplo, são listados em bolsa. Essa particularidade, no entanto, não significa que os investimentos alternativos prescindam de transparência de informações e auditoria independente, por exemplo. Daí a importância da escolha atenta, pelo investidor, da equipe de gestão.

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