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Rede de saúde mental acolhe jovens vítimas de bullying

“O impacto vai variar de acordo com as características pessoais. Toda experiência de violência


“O impacto vai variar de acordo com as características pessoais. Toda experiência de violência tem potencial de causar um adoecimento mental”, explica a psicóloga

Uma piada que se torna um incômodo e pode evoluir para um desafio sério na saúde mental. O bullying – incluindo sua versão realizada por meios tecnológicos, o cyberbullying – é crime e ganha cada vez mais destaque nos temas trabalhados pelas unidades da Secretaria de Saúde (SES-DF), que atuam no acolhimento e tratamento de crianças e adolescentes. Parceria com instituições de ensino – públicas e privadas – ressalta a importância do respeito e do cuidado com o bem-estar psicológico de colegas.

A diretora de Saúde Mental da SES, Fernanda Falcomer, aponta que uma situação julgada como simples por uma pessoa pode ser grave para outra. Por isso, é essencial ter cautela com ações e palavras. “O impacto vai variar de acordo com as características pessoais. Toda experiência de violência tem potencial de causar um adoecimento mental”, explica a psicóloga.

Indícios

Alterações de humor, recusa em ir à escola ou a outros círculos sociais e dificuldades para dormir são possíveis indicativos de sofrimento mental por parte de crianças e adolescentes. Nesses casos, as 176 unidades básicas de saúde (UBSs) são a porta de entrada aos serviços da rede pública. Equipes de Saúde da Família (eSF), reforçadas por profissionais de diversas especialidades, como psicólogos e terapeutas ocupacionais, podem fazer a abordagem inicial e promover o acompanhamento do paciente, tanto em atividades individuais quanto coletivas.

Se houver sofrimento psíquico persistente e grave, há o encaminhamento a um Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (Capsi). São quatro unidades, localizadas na Asa Norte, Taguatinga, Recanto das Emas e Sobradinho – todas com equipe multiprofissional para analisar a realidade da criança ou do adolescente e propor intervenções. O Caps de Brazlândia também faz esse tipo de atendimento. Já a unidade do Plano Piloto se destaca por ter sido o primeiro Capsi do Brasil.

“Não limitamos nosso olhar só ao bullying, mas a tudo que acontece. Verificamos todas as dimensões sociais do paciente, não só o diagnóstico ou a medicação, por exemplo. É esse o trabalho de um Capsi”, afirma a gerente da unidade da Asa Norte, Mairla Castro. A abordagem inclui a família e a identificação de todas as situações que possam afetar a criança ou adolescente atendido. “O que será que nós, como sociedade, temos ofertado e tirado? O que faz sentido para essas crianças?”, indaga a servidora.

Prevenção

Para ampliar as ações, os centros infanto-juvenis realizam o projeto Capsi vai às escolas. Há bate-papo com alunos, instrução a professores e brincadeiras para promover o tema saúde mental, além de conversa sobre assuntos apresentados pelos próprios estudantes. A ida ao ambiente escolar auxilia na detecção precoce e no encaminhamento correto. A cada ano, cerca de mil estudantes participam de ações do tipo, abertas às redes pública e privada.

O tema bullying também é recorrente no Centro de Orientação Médico-psicopedagógica (Compp) e no Adolescentro, especializados na assistência a pacientes de até 11 anos e de 12 a 17 anos, respectivamente.


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“Fazemos atendimentos todos os dias sobre bullying, Quando chegam aqui, já apresentam um sofrimento antigo”, revela a supervisora do Adolescentro, Marineide Vila Nova.

Os pacientes dessas unidades são direcionados pelas UBSs ou pelos Capsis, apresentando a necessidade de abordagens específicas, quase sempre envolvendo vários aspectos da vida do jovem, como o uso da tecnologia e o desenvolvimento da sexualidade. Nas unidades, atuam servidores de diversas carreiras, todos especializados no atendimento a crianças e adolescentes.

Bullying no Brasil

O 17º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou que, em 2021, 38% das 74 mil escolas pesquisadas confirmaram a existência de bullying entre os alunos.

Nesta semana, foi sancionada a lei federal nº 14.811 que criminaliza a prática, tipificando os crimes de “intimidação sistemática (bullying)” e “intimidação sistemática virtual (cyberbullying)”. As penas podem ir de multa a reclusão de quatro anos, se não for identificado crime mais grave.


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As informações são da Agência Brasília



Fonte: JBR

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