A relativa pouca idade da cidade não impede que o Carnaval de Brasília tenha blocos tradicionais, que atraem foliões para as ruas há décadas. São manifestações que resistiram ao tempo e atravessaram momentos diferentes da história, carregando parte da nossa identidade e da nossa cultura.
“Os blocos tradicionais do nosso Carnaval guardam histórias, afetos, ritmos e identidades que atravessam gerações”
Claudio Abrantes, secretário de Cultura e Economia Criativa
“Os blocos tradicionais do nosso Carnaval guardam histórias, afetos, ritmos e identidades que atravessam gerações. Ao valorizar essas manifestações, o Governo do Distrito Federal reafirma seu compromisso com a cultura popular, com a ocupação democrática dos espaços públicos e com um Carnaval plural, seguro e acessível, que reconhece a diversidade como a maior riqueza cultural da nossa capital”, destaca o secretário de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, Claudio Abrantes.
É pensando na importância de manter tradições vivas que o DF Folia abre espaço para blocos antigos, que acabaram virando sinônimos do nosso Carnaval. Um deles é o Galinho de Brasília, que surgiu a partir da ideia de um grupo de amigos pernambucanos que levam a brincadeira do Carnaval muito a sério.
Todos os anos, eles costumavam usar o dinheiro da poupança para viajar para a terra natal, a fim de matar a saudade do Carnaval de Recife e Olinda. No entanto, no início dos anos 1990, o país foi surpreendido pelo confisco da poupança, impedindo os jovens de fazerem a viagem anual para a folia. Mas ficar sem Carnaval não era uma opção. Era hora de trazer o Carnaval pernambucano para a capital do país.
1992
Ano da primeira saída do Galinho de Brasília
“A nossa primeira saída, em 1992, foi um sucesso. Foi na 203 Sul. Distribuímos papéis para que as pessoas colocassem o nome e conseguíssemos fazer uma coisa ainda maior. E assim nasceu o Galinho de Brasília, e o Grêmio de Expressões Nordestinas (GREM)”, conta Miriam Brasiel, uma das fundadoras do bloco, cujo nome é uma referência ao famoso Galo da Madrugada da capital pernambucana.
“Aqui, a gente encontra animação, muito frevo, que é o nosso ritmo, muita alegria, muita saudade da nossa terra e, principalmente, um lugar seguro para brincar”, assinala a fundadora.
A saudade também levou a servidora pública Maria Bernadete, 55, para pular o Galinho no Setor de Autarquias Sul. “Eu encontro aqui as minhas raízes, o frevo de bloco que eu canto desde pequena, quando meu pai me levava para o Carnaval”, diz a olindense, que mora há 20 anos na capital. “Adotei Brasília como a minha cidade. Ela abraça muitas culturas e é muito generosa com quem quer gostar dela”, complementa.
Blocos tradicionais
A Baratona traz de volta a Brasília de 1976, quando o pai de Daniel Lima promovia uma brincadeira indo de bar em bar pela Asa Sul. Após virar um evento de Carnaval, o bloco passou a ser um ambiente ideal para toda família, incluindo os pequenos. “Ao longo de todos esses anos, nós adquirimos a expertise do que a criança e a sua família precisam. E é muito simples: diversão e alegria”, afirma Daniel, que é presidente do bloco. Ele destaca que o álcool e os cigarros são proibidos no espaço. “A ajuda do GDF é muito importante, porque é com esses recursos que conseguimos manter a Baratona”, complementa o presidente do bloco.
Jean conta que o bloco nasceu a partir da brincadeira de um grupo de jovens que, com instrumentos emprestados da escola de samba Candangos do Bandeirante, saíam em batucada atrás de blocos como Pacotão e Baratona. A ideia foi crescendo, veio o trio elétrico e hoje o Bloco dos Raparigueiros é um dos símbolos do nosso Carnaval.
“Brasília é uma cidade jovem, mas já construiu uma tradição carnavalesca consistente, plural e profundamente enraizada nas suas matrizes culturais”
Dorival Brandão, coordenador-geral do DF Folia 2026
“Brasília é uma cidade jovem, mas já construiu uma tradição carnavalesca consistente, plural e profundamente enraizada nas suas matrizes culturais. Os blocos tradicionais são protagonistas desse processo: acompanham o crescimento da cidade, dialogam com as novas gerações, mas não abrem mão dos fundamentos que estruturam o Carnaval como manifestação popular e patrimônio cultural vivo”, afirma o coordenador-geral do DF Folia, Dorival Brandão.
O DF Folia 2026 é uma iniciativa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal e do Governo do Distrito Federal, realizada por meio de chamamento público, com investimento total de R$ 10 milhões, em parceria com a Associação Artise de Arte, Cultura e Acessibilidade. A programação completa do carnaval pode ser conferida no site e nas redes sociais do DF Folia.
*Com informações da Secec-DF









