O Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), passou a analisar as prescrições médicas antes da liberação dos medicamentos, reforçando a segurança dos pacientes.
A mudança antecipa a avaliação feita pela equipe de farmácia clínica e ajuda a reduzir riscos no uso dos remédios durante a internação, com o apoio da plataforma digital MV Soul, que integra as etapas de prescrição, análise e dispensação de medicamentos no hospital.
Na prática, o modelo posiciona o farmacêutico clínico como peça central na análise das prescrições. “Após a prescrição médica, a solicitação seguia diretamente para a farmácia hospitalar, onde era feita a dispensação. A avaliação do farmacêutico clínico ocorria apenas depois disso”, explica Thales Teódulo, chefe do Serviço de Farmácia Clínica.
Com o novo fluxo, a lógica foi invertida: primeiro, o farmacêutico clínico avalia a prescrição no sistema; após a liberação, a farmácia hospitalar realiza a dispensação para a equipe de enfermagem. Essa antecipação permite identificar inconsistências, como erros de dose, interações medicamentosas, duplicidades terapêuticas e inadequações clínicas, reduzindo riscos e promovendo o uso mais seguro e racional dos medicamentos.
O processo ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, contemplando todas as prescrições emitidas nesse período. Em situações de urgência, o fluxo é flexibilizado para garantir agilidade, com liberação automática das prescrições e continuidade da assistência.
A implementação no HRSM ocorre de forma progressiva. A primeira etapa, iniciada em outubro de 2025, contemplou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulta e a clínica médica. Agora, a prática avança para a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin) e para a pediatria.
O projeto foi idealizado por Thales e pelo farmacêutico clínico Elisson Oliveira, com base em experiência iniciada em 2024 no Hospital Cidade do Sol (HSol), unidade também administrada pelo IgesDF que, à época, se destacou como pioneira na implementação da rastreabilidade completa de medicamentos em toda a sua estrutura.
A adesão das equipes médicas tem sido positiva, impulsionada pela familiaridade com o modelo. “Não houve resistência dos médicos, porque muitos já atuam em hospitais privados, onde esse trâmite é comum. Alguns, inclusive, relataram que sentiam falta desse fluxo na rede pública”, afirma Elisson. Segundo ele, os principais desafios iniciais estiveram relacionados ao alinhamento das atribuições entre farmácia clínica e hospitalar, etapa já consolidada entre as equipes.
Atualmente, cerca de 260 prescrições são avaliadas por dia na unidade, número que reflete o volume assistencial e a capacidade operacional do serviço. Ainda pouco difundido na rede pública, o modelo coloca o HRSM como o segundo hospital do Distrito Federal a adotar essa prática, contribuindo diretamente para o fortalecimento da segurança do paciente.
A iniciativa segue em expansão, com previsão de implementação em toda a unidade até o fim deste ano. “A expectativa é consolidar, de forma definitiva, uma cultura institucional pautada na qualidade do cuidado, na segurança do paciente e na excelência dos processos assistenciais”, conclui Thales.
*Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)









