No intuito de ampliar o repertório de recursos pedagógicos utilizados por educadores da rede pública de ensino do Distrito Federal, a Unidade-Escola de Formação Continuada dos Profissionais da Educação (Eape) lançou um curso sobre games e esportes eletrônicos (e-sports). A aula inaugural foi realizada na última quinta-feira (30), no Laboratório de Inovação e Criatividade para Educação Básica (LabCrie) da Eape, espaço com estrutura tecnológica dedicado à inovação.
O curso será realizado de forma híbrida, contando com vivências presenciais e aulas online síncronas às quintas-feiras. Os encontros abordarão diferentes áreas de interesse no campo dos games, focando nas possibilidades e na viabilidade do uso pedagógico com um olhar multidisciplinar.
A iniciativa busca aproximar a linguagem escolar dos interesses da juventude. O professor David Leonardo Teixeira, especialista em jogos eletrônicos e idealizador da disciplina, destaca a importância de colocar o aluno no centro do processo de ensino-aprendizagem.
“Os estudantes como um todo gostam muito da cultura geek, dos jogos eletrônicos. O processo de ensino-aprendizagem pode se utilizar do jogo eletrônico como um instrumento mediador para que a gente obtenha a atenção do aluno, o engajamento, e demonstre para ele a materialidade dos conhecimentos escolares”, explica David.
Essa busca por conexão foi justamente o que motivou o professor de educação física Alex Borges Lima, da Escola Classe (EC) 8 de Brazlândia, a matricular-se na formação. Atuando com crianças do 1º ao 5º anos, ele viu no curso uma ponte para dialogar melhor com os alunos. “Gostei da iniciativa de entrar mais no universo desses jovens, entender a linguagem deles. Você pode perceber no recreio, nos horários livres, que sempre estão falando de alguns jogos eletrônicos. Então, é uma coisa que pode me conectar com eles”, relata Alex, ressaltando o valor de compreender as novas dinâmicas culturais das crianças.
Transdisciplinaridade e inovação nas escolas
Mais do que puro entretenimento, os games oferecem um vasto campo para o desenvolvimento de habilidades, como percepção de tempo, ritmo e coordenação motora fina, além de serem produtos culturais complexos recheados de narrativas fantásticas, o que contribui para a ampliação do desenvolvimento social e cultural dos estudantes.
Segundo David Leonardo, o objetivo da formação é mostrar aos professores como o videogame pode ser um aliado transversal em diversas áreas do conhecimento. “Eu vou trazer o jogo eletrônico enquanto um elemento lúdico, tático e estratégico, mas vou alinhar com outros componentes curriculares para demonstrar para o estudante a importância de estudar português, matemática, geografia, física, artes”, ressalta o especialista.
A disciplina propõe “abrir os horizontes” dos educadores, apresentando variados hardwares, desde consoles portáteis com telas duplas até equipamentos modernos de ritmo e imersão, como os equipamentos de realidade virtual. A intenção é que os professores transformem a teoria em vivência prática para, em seguida, levar essa inovação para as salas de aula, implementando intervenções pedagógicas e utilizando desses recursos conforme as possibilidades específicas no contexto de suas comunidades escolares.
“A ideia, hoje, era a gente poder colocar a mão no console, vivenciar. É diferente de você ter um momento ali só para olhar um vídeo. Nós precisamos coletivizar esse conhecimento para debater, discutir, compartilhar experiências e, ao final, democratizar o jogo eletrônico e renovar os espaços escolares”, concluiu David.
*Com informações da Secretaria de Educação









