Hotel Social supera 21 mil acolhimentos nos primeiros meses de 2026

Ao longo dos seus 45 anos, Alex Damasceno já viveu em diversas cidades do Brasil e do mundo. A mais recente foi Aracaju (SE), de onde saiu após enfrentar problemas financeiros. “Pensei: ‘A única oportunidade que eu tenho é ir para Brasília, que é um centro econômico, um centro de oportunidades, tentar fazer a vida’”, lembra. Na capital federal, porém, ele voltou a ficar sem dinheiro. Foi então que encontrou um lugar que lhe abriu as portas: o Hotel Social, equipamento da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) que oferece pernoite gratuito a pessoas em situação de vulnerabilidade.

“Realmente o equipamento funciona, ele te dá a oportunidade de você pensar, de criar uma estratégia e ver como você vai sair, o que você vai fazer daqui para a frente. Eu digo que é um trampolim para quem chega desorientado, chega descapitalizado, chega perdido, da forma que seja. Ninguém vai te tratar diferente conforme você chegou, de onde você veio. Vai ser atendido como todo mundo, tratado com dignidade e com respeito. E depois a equipe técnica vai te abordar para ver o que eles também podem fazer para te ajudar de alguma forma a sair dessa situação e se reencontrar, se recolocar no âmbito social, de ter um trabalho, um lugar para morar. O que ele te proporciona é exatamente isso: um respiro digno para você recomeçar”, conta Alex, que hoje conseguiu um emprego e já não dorme mais no local.

Alex Damasceno já foi acolhido pelo Hotel Social: “Realmente o equipamento funciona, ele te dá a oportunidade de você pensar, de criar uma estratégia e ver como você vai sair, o que você vai fazer daqui para a frente” | Fotos: Matheus Borges/Agência Brasília

A história dele não é única. Apenas nos quatro primeiros meses deste ano, o Hotel Social registrou 21 mil acolhimentos. Desde a criação, em julho do ano passado, o total de atendimentos já supera os 50 mil. O espaço funciona diariamente, das 19h às 8h, para que até 200 pessoas em situação de vulnerabilidade possam passar a noite. Além de cama e cobertor para dormir, os acolhidos têm direito a banho quente e duas refeições — jantar e café da manhã. O equipamento ainda é um dos únicos do país a aceitar animais de estimação, contando com um espaço reservado para eles.

“Quem está em situação de rua também quer um lugar bom para dormir, com segurança, tranquilidade, sem tanto barulho, sem tanta perturbação. Quer um lugar para poder se alimentar e dormir, e para ter dignidade. Essas pessoas precisam desse serviço pela dignidade que ele oferece”, aponta Daura Meneses, diretora dos Serviços de Acolhimento da Sedes, que também destaca outras ações promovidas pelo Governo do Distrito Federal (GDF) voltadas à população em situação de rua. “O Distrito Federal tem se destacado por meio do Plano Distrital para a População em Situação de Rua, uma iniciativa que realmente é de extrema importância.”

 

O local é gerido pelo Instituto Mãos Solidárias, organização contratada por meio de licitação. De acordo com a presidente da entidade, Juliana Alves, desde a abertura do Hotel Social, 105 pessoas acolhidas no equipamento foram reinseridas no mercado de trabalho.

“Nós temos uma equipe técnica, psicólogos, assistentes sociais, que fazem esse encaminhamento, tanto para empregos quanto para outros estados, no caso daqueles que vieram de fora e desejam voltar. Para nós, é gratificante. Esse é o intuito do instituto: acolher e dar oportunidade”, pontua.

Grato por ser uma dessas pessoas, Alex Damasceno agora dá um conselho para quem enfrenta a mesma situação que ele viveu. “Se você precisar de um espaço, de dignidade, de respeito, de se sentir querido de alguma forma, venha para cá. Eu não precisei ficar na rua, mas ouvi relatos de pessoas aqui de que a rua não é um lugar muito bom. Então, se você está passando por alguma necessidade, procure o equipamento, que eles vão te orientar e, com certeza, vai haver uma condição para você poder se hospedar enquanto procura uma reorganização da vida.”

O Hotel Social  funciona diariamente, das 19h às 8h, para que até 200 pessoas em situação de vulnerabilidade possam passar a noite, com direito a cama, cobertor, banho quente e duas refeições

Política distrital

O Distrito Federal foi a primeira unidade da Federação a apresentar um plano de política pública após a suspensão das ações de abordagem à população em situação de rua pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As ações de acolhimento começaram a ser implementadas após uma fase de testes em maio de 2024, quando o GDF realizou visitas na Asa Sul e em Taguatinga, atendendo cerca de 50 pessoas com assistência social e oferta de serviços públicos.

Em 27 de maio de 2024, o GDF oficializou o Plano de Ação para a Efetivação da Política Distrital para a População em Situação de Rua. Desde então, ocorrem ações semanais em diversos pontos do Distrito Federal. Os órgãos do governo já passaram por regiões como Plano Piloto, Vila Planalto, Taguatinga Norte e Sul, Ceilândia, Águas Claras e Arniqueira.

Em julho de 2025, a governadora Celina Leão, então em exercício, assinou decreto que criou o programa Acolhe DF. A iniciativa propõe busca ativa e oferta de tratamento a pessoas em situação de rua com dependência de drogas ilícitas, álcool e tabaco, criando uma linha de atendimento específica e ampliando as ações já existentes do GDF voltadas a esse público.

Agencia Brasília

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