Ruas do Distrito Federal começam a ser enfeitadas para a Copa do Mundo de 2026

A cada quatro anos, quando a Copa do Mundo se aproxima, o clima do Mundial toma os corações dos brasileiros e transborda, em tinta, pelas ruas das cidades do país. No Distrito Federal não é diferente. São vários os endereços pela capital federal que já começaram a receber pintura e ornamentação temáticas para apoiar a Seleção Brasileira em busca do sonho do hexacampeonato.

Terra do maior campeão de clubes do DF e do pentacampeão e Bola de Ouro Kaká, o Gama foi uma das primeiras regiões a ver as ruas enfeitadas para a Copa de 2026. Na Quadra 4 do Setor Sul, a aposentada Telma Rejane Lima Lopes, 66 anos, já prevê a vizinhança reunida durante os jogos. Moradora da região há 38 anos, ela conta que a decoração começou depois da gravação de um clipe do grupo Menos é Mais no local.

“Os vizinhos aqui são muito unidos. Com certeza vamos assistir a um jogo na minha casa, em alguma delas ou até mesmo aqui na calçada”, disse. “A gente precisa disso, de alegria. Chega de tristeza. Se o Brasil ganhar, vai ser uma alegria só. Vai ser uma festa na rua.”

Telma Regina Lopes: “A gente precisa disso, de alegria. Chega de tristeza. Se o Brasil ganhar, vai ser uma festa na rua” | Fotos: Joel Rodrigues/Agência Brasília

A vizinha de Telma, Francisca Janaína Macaro Duarte, 51 anos, afirma que a pintura trouxe de volta lembranças da infância e ajudou a movimentar a rua. “Para mim foi uma grande alegria. A gente não via isso há muito tempo. Eu lembro que, no tempo de criança, era aquela alegria torcendo para chegar a Copa para a gente poder enfeitar. Agora está voltando tudo novamente”, disse. Ela também vê na decoração uma forma de aproximar as crianças da tradição das ruas enfeitadas para a Copa. “Quase toda noite tem criança brincando aqui de golzinho. Há muito tempo a gente não via isso”, afirmou.

 

Na Quadra 22 do Setor Central, o policial militar Florestan Matos, 59 anos, mantém uma tradição que começou ainda na adolescência. “Desde as primeiras copas, em 1982, a gente sempre enfeitou a rua. Antigamente, era a rua toda. Hoje está mais devagar, mas a gente não deixa de tomar a iniciativa, querendo motivar os demais vizinhos a manter essa tradição. Ainda está em um terço do que vai ser feito. Vamos colocar as bandeirinhas, enfeitar a parte interna da casa e complementar a bandeira com outros adornos”, contou.

Na família de Florestan, a Copa também costuma reunir dezenas de pessoas em casa. “Desde a época do meu pai e da minha mãe, nós sempre nos reunimos aqui. São aproximadamente 50 a 60 pessoas. A gente tem a tradição de fazer o prato típico do país adversário do Brasil”, afirmou. Com a notícia do concurso de ruas decoradas, ele diz que a vizinhança deve reforçar a ornamentação. “Vamos empenhar o máximo, ampliar mais ainda e solicitar o apoio da rua toda para concorrer bem nesse evento e, quem sabe, assistir aos jogos aqui na nossa rua.”

Além de ajudar na decoração da rua, a família de Florestan Matos costuma preparar o prato do adversário do Brasil para os dias de jogo

A mobilização dos moradores também é vista pela Administração Regional do Gama como uma forma de fortalecer o vínculo da comunidade com os espaços públicos. “Além de a rua ficar mais bonita e mais alegre, a gente vê o envolvimento da comunidade no cuidado com as ruas. Isso fala sobre sensação de pertencimento, zelo com a coisa pública e com o espaço comum a todos os moradores”, afirmou a administradora regional do Gama, Thábata Norrana. “A administração está propondo uma competição saudável para dizer qual é a rua mais decorada, a rua mais chamativa para nós celebrarmos e assistirmos juntos à Copa do Mundo”, acrescentou.

A Copa do Mundo de 2026 será disputada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, México e Canadá. Será a primeira edição do Mundial sediada em três países diferentes, também a primeira com 48 participantes — em vez dos tradicionais 32. O Brasil estreia em 13 de junho, contra a seleção de Marrocos. Ainda na primeira fase, o grupo comandado pelo italiano Carlo Ancelotti encara o Haiti, no dia 19, e a Escócia, no dia 24.

Casa da Seleção

Seja recebendo jogos da Seleção Brasileira, seja com craques escalados, o Gama faz parte da história do escrete Canarinho

Brasília tem relação estreita com a Seleção Brasileira. O estádio Mané Garrincha foi um dos poucos a receber dois jogos da equipe masculina no último ciclo das Eliminatórias — ao lado do Maracanã, no Rio de Janeiro. O primeiro foi a goleada sobre o Peru, em outubro de 2024. Já o segundo foi a vitória sobre a Colômbia, em março de 2025, em partida que registrou um dos maiores públicos do futebol brasileiro no ano, bem como o recorde histórico de espectadores da arena: 70.027 pessoas.

Além das Eliminatórias, a equipe masculina já jogou outras nove vezes no estádio brasiliense: pela Copa das Confederações, pela Copa do Mundo, pelas Olimpíadas e em amistosos. A arena também já recebeu a Seleção feminina, em julho de 2023, no último amistoso antes da Copa do Mundo da Austrália e da Nova Zelândia. No ano que vem, aliás, a própria Copa do Mundo Feminina desembarca no Brasil e terá o Mané Garrincha como uma das sedes.

O Gama também é parte especial dessa relação. O estádio Valmir Campelo Bezerra, o Bezerrão, é gerido pela Secretaria de Esporte e Lazer (SEL-DF) e deve servir como espaço para treinos das seleções que vierem disputar a Copa do Mundo de 2027. Em 2019, a Seleção masculina sub-17 disputou, e venceu, um Mundial no local.

O Bezerrão teve o gramado reformado no ano passado para abrigar treinos da Seleção masculina principal. Antes, entre 2022 e 2023, o espaço passou pela maior reforma desde sua remodelação em 2008, com a recuperação das arquibancadas, modernização da rede elétrica, ajustes no sistema de combate a incêndios e melhorias no gramado, totalizando um investimento de R$ 3,9 milhões.
 

Agencia Brasília

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