Assédio moral e sexual no trabalho muitas vezes se esconde em atitudes naturalizadas do cotidiano

Especialistas debatem em seminário no Distrito Federal o impacto de microagressões e a importância de canais de denúncia seguros.
Assédio no trabalho pode estar em atitudes naturalizadas no dia a dia

Comportamentos abusivos e microagressões que passam despercebidos na rotina corporativa foram o foco de debates recentes durante o IV Seminário de Combate e Prevenção ao Assédio, promovido pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF). O evento, sediado no auditório do Shopping ID, trouxe à tona discussões essenciais sobre como o assédio no trabalho muitas vezes se oculta em ações corriqueiras do dia a dia profissional.

Dimensão judicial e estatísticas preocupantes Durante a programação, a corregedora do Ministério da Previdência Social, Vládia Pompeu, apresentou números expressivos que ilustram a gravidade do cenário atual. De acordo com os registros da Justiça do Trabalho referentes a 2025, houve um total de 142.828 novos processos relacionados ao assédio moral, representando uma alta de 22% na comparação com o período anterior. No mesmo sentido, as ações judiciais referentes a episódios de assédio sexual alcançaram a marca de 112.813, o que representa um crescimento expressivo de 40%.

Complementando o panorama, a especialista citou dados da pesquisa Trabalho sem Assédio, elaborada pela Think Eva, que revelam que 57% dos entrevistados já vivenciaram situações de abuso. O levantamento também apontou que somente 10% das mulheres vítimas de assédio sexual recorreram aos canais oficiais de denúncia disponibilizados pelas companhias.

Atualização de políticas e papel das lideranças Para combater esse cenário, a Coordenação de Compliance e Governança do IgesDF, em parceria com a Diretoria de Inovação e Ensino (Diep), propôs uma reformulação na Política de Combate e Prevenção ao Assédio da instituição. A coordenadora da área, Lorena Mayla, explicou que a revisão visa abranger novas dinâmicas corporativas, como interações em aplicativos de mensagens, encontros virtuais, grupos profissionais e redes sociais, além de reforçar o acolhimento e mitigar riscos psicossociais.

A importância do consentimento e dos canais de apoio A corregedora do IgesDF, Danielle Lontra, aprofundou o debate sobre a linha tênue entre práticas gerenciais e condutas abusivas, enfatizando o papel do consentimento nas dinâmicas interpessoais. Já a controladora Vanessa Tchelzoff orientou os colaboradores a utilizarem a controladoria como ferramenta preventiva de suporte, enquanto Luciana Parente, chefe do Núcleo de Ouvidorias das Unidades de Pronto Atendimento, detalhou os procedimentos para registrar manifestações adequadamente.

Engajamento institucional pelo respeito A abertura do evento contou com pronunciamentos de autoridades como a presidente do IgesDF, Eliane Abreu, o vice-presidente Túllio Nogueira e o controlador-geral do Distrito Federal, Daniel Alves Lima, que reforçaram o compromisso coletivo com a dignidade humana. A gravação integral das palestras do seminário permanece acessível ao público por meio do canal oficial do instituto na plataforma YouTube.

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