As primeiras notas do saxofone ecoaram pelos corredores da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Paranoá e, por alguns instantes, o ambiente de urgência e emergência deu lugar a sorrisos e saudosismo. Entre pacientes, familiares e profissionais, a música transformou a rotina do local na tarde desta terça-feira (23), criando momentos de acolhimento e novas memórias.
Um dos mais emocionados era o aposentado Geraldo Joaquim Ramos, de 76 anos. Enquanto acompanhava a apresentação, ele se deixou levar pelas melodias e pelas lembranças despertadas por cada canção. “É muito lindo o estímulo da música para nós que estamos aqui. Não tem dinheiro nenhum que pague e nem palavras suficientes para agradecer essa equipe maravilhosa”, afirma.
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A ação recebeu o músico e produtor cultural brasiliense Esdras Nogueira, que apresentou um concerto de canções populares brasileiras instrumental, por meio do projeto Música Transforma, com releituras de canções que atravessam gerações e fazem parte da memória afetiva de todos como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Roberto Carlos e Milton Nascimento.
Para o musicista, iniciativas como essa reforçam o poder transformador da arte nos mais diferentes espaços da sociedade. “Realizamos a atividade porque acreditamos de verdade que a música transforma. Ela muda a realidade de quem está assistindo em um palco, mas também de quem está em uma escola ou em um hospital. A música acalma, traz tranquilidade, melhora o dia das pessoas e cria conexões. Música é energia, é troca, e poder viver isso aqui é sempre muito especial”, pontua.
A gerente da UPA do Paranoá, Juliete Andrade, explica que a iniciativa nasceu da compreensão de que cuidar da saúde envolve muito mais do que oferecer tratamentos e medicamentos, mas também de propiciar, mesmo que temporariamente, uma atmosfera de escuta, acolhimento e conexão. “A gente pensa em um atendimento humanizado. O paciente vem para tratar uma doença, mas não é só isso. A música traz lembranças, desperta sentimentos e ajuda a diminuir a ansiedade em um momento difícil. Isso vale também para os familiares que acompanham esse processo”, destaca a gestora.
Segundo ela, a ação foi construída de forma integrada, reunindo equipes multiprofissionais pelo propósito de proporcionar um momento especial aos pacientes. “Todo mundo dá um pouco do seu melhor para participar. A nossa intenção é tirar o foco da dor e da doença por alguns instantes. O paciente está fora de casa, longe do ambiente onde se sente seguro. Então buscamos fazer com que ele encontre aqui também esse sentimento de acolhimento e segurança”, completa.
Enquanto as melodias preenchiam os ambientes, sorrisos surgiam entre pacientes, acompanhantes e profissionais. Muitos acompanharam as canções em silêncio, embalados por lembranças despertadas pela música. Outros cantaram baixinho ou simplesmente fecharam os olhos para aproveitar o momento.
Olhar humanizado
A proposta também teve um olhar especial para o bem-estar emocional dos usuários. De acordo com a coordenadora multiprofissional da unidade, Samara Figueiredo, a ação, que contou com um lanche elaborado e aprovado pelos nutricionistas da unidade, respeitando as necessidades dos pacientes, foi pensada considerando especialmente os impactos que a música pode gerar na saúde mental. “Muitos dos nossos pacientes chegam aqui em sofrimento emocional ou enfrentando momentos delicados. Esta é a segunda vez que participa dessa iniciativa conosco. Neste ano ampliamos a ação para um momento verdadeiramente multiprofissional”, acrescenta.
A emoção também tomou conta dos familiares. A filha do Seu Geraldo, Daniela de Souza, ao acompanhar o pai durante a apresentação, resumiu o sentimento vivido naquela manhã. “Foi lindo. Parabéns por essa ação. Obrigada por proporcionar isso para ele e para nós”, frisa.
Por fim, a gerente da unidade reforçou que a iniciativa evidencia que o trabalho desenvolvido nas UPAs administradas pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) vai além da assistência imediata às urgências e emergências. “O cuidado oferecido diariamente pelas equipes busca contemplar não apenas as necessidades clínicas dos pacientes, mas também aspectos emocionais e humanos que fazem diferença durante a permanência na unidade”, finaliza.
*Com informações do IgesDF








