“No final eu já estava sem forças, mas olhava pra vocês e dizia: ‘mais uma volta, por eles”, declarou o atleta Caio Bonfim, após conquistar a medalha de bronze no Campeonato Mundial de Marcha Atlética. Neste domingo (12), a prova reuniu competidores de diferentes países, além de atletas brasileiros distribuídos nas diversas categorias. A estrutura, montada no Museu Nacional e arredores, incluiu áreas de apoio para atletas, organização de fluxo para o público e esquema de credenciamento antecipado, necessário para acesso às áreas específicas do evento.
Com uma torcida empenhada em acompanhar os competidores brasileiros que disputavam a prova na área central de Brasília, a programação da 31ª edição do Campeonato Mundial de Marcha Atlética começou às 6h45, com as disputas da maratona masculina e feminina feitas simultaneamente.
“Foi uma das provas mais difíceis da minha carreira, principalmente pelo emocional”
Caio Bonfim, atleta medalhista olímpico
A governadora Celina Leão avaliou o impacto do evento que movimenta o calendário esportivo da capital, destacando a performance de Caio Bonfim: “O Caio representa muito, a força da resistência, da família e do sucesso. Foi uma prova muito difícil, com os melhores do mundo; e para nós, aqui ele é ouro. É um momento emocionante, com os melhores do mundo aqui, e ver Brasília cheia, com visibilidade internacional e movimentando a economia, mostra a dimensão desse evento para a cidade, que já é a capital do esporte”.
Caio, que trouxe diversas medalhas para a modalidade no Brasil, incluindo prata na marcha atlética de 20 km nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, ficou no pódio mais uma vez. Chegando em terceiro lugar, ele reforçou o alto nível técnico das provas realizadas na capital federal, ao lado de atletas nacionais e internacionais, frisando o peso emocional de competir em casa.
“Foi uma das provas mais difíceis da minha carreira, principalmente pelo emocional”, relatou. “Eu entreguei tudo de mim, cheguei vendo só o meio-fio branco. Esse evento é uma responsabilidade, com todo esse investimento e expectativa. Eu não controlo a expectativa externa, mas a gente sabe e pesa. Mantive a técnica: mesmo sem sentir as pernas, sentia a motivação que a torcida trouxe. Nesse meu oitavo mundial, lutando e buscando, perdi para aqueles que foram melhores do que eu, mas não podia perder para mim e, graças a Deus, hoje levo essa medalha para casa.”
O medalhista olímpico elogiou a organização do evento em Brasília: “Ficaram encantados com nossa estrutura. Fico muito feliz de fazer parte disso e mostrar que o Brasil é capaz. Agradeço ao GDF por não economizar e mostrar que isso é um investimento que não dá nem para quantificar o legado que vai gerar”.
Percurso e estrutura
As competições seguiram ao longo da manhã com provas das categorias de base. Às 7h15, ocorreu a marcha atlética masculina sub-20 de 10 km, seguida pela feminina da mesma categoria, às 8h15. Já o fim da manhã e o início da tarde foram marcados pelas provas de meia maratona, com largadas às 11h05, no masculino, e às 12h50, no feminino.
Para viabilizar as disputas, foram montados circuitos fechados na região central. A maratona ocorreu em um percurso circular de 2 km, totalizando 42,195 km ao longo de 21 voltas e mais 195 metros. Já a meia maratona aconteceu em um circuito de 1 km, com 21 voltas e um complemento final de 97 metros.
Na meia-maratona masculina (21 km), o primeiro lugar (medalha de ouro) ficou com Francesco Fortunato (Itália), que fez a prova em 1h27min36s. Seguiram Misgana Wakuma, da Etiópia, que ganhou o segundo lugar (prata), com o tempo de 1h27min33s; e, no bronze, com 1h27min36s, o brasileiro Caio Bonfim.
As brasileiras também fizeram história: Viviane Lyra, Gabriela de Sousa e Mayara Luize Vicentainer terminaram no top-12 da prova de maratona da modalidade. Na soma dos resultados individuais, as brasileiras só ficaram atrás das campeãs do Equador e da Itália na prova por equipes femininas, levando também o bronze para casa.
“É um momento histórico para Brasília, que entra na rota dos grandes eventos internacionais”, enfatizou o secretário de Esporte e Lazer, Renato Junqueira. “Além de fomentar cada vez mais o esporte local, democratizando e disseminando a marcha atlética, a realização do campeonato também movimenta a economia, com hotéis cheios e aumento no fluxo em bares e restaurantes.”
O presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, Wlamir Campos, também elogiou a estrutura: “É um evento histórico, a primeira vez no Hemisfério Sul, com quase 400 atletas de 40 países. Foram três anos de trabalho para viabilizar. Tivemos uma parceria fantástica com o Governo do Distrito Federal, que nos assegurou quase R$ 5 milhões para a concretização desse evento. Hoje podemos dizer que Brasília está entregando um campeonato de altíssimo nível, tanto em estrutura em quanto técnica. Brasília é especial e está fazendo o que sabe fazer: um grande evento”.
O competidor foi outro a elogiar a produção da Marcha Atlética no DF: “De um campeonato mundial a gente sempre espera uma estrutura grande, mas essa aqui foi surpreendente. Quem acha que o Brasil não tem condição, que olhe essa estrutura. É um recado para o mundo: a gente tem condição de fazer isso, tem atletas, a gente já provou na Olimpíada que a gente consegue e está provando mais uma vez”.









