CCBB Brasília apresenta A Comunidade do Arco-Íris, única obra do escritor Caio Fernando Abreu para crianças

Única obra do escritor Caio Fernando Abreu voltada para o público infantil, A Comunidade do Arco-Íris chega ao CCBB Brasília após temporadas de sucesso em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Com direção de Suzana Saldanha e supervisão de direção de Gilberto Gawronski, o espetáculo estreia na capital federal em 12 de março e segue em cartaz até 29 de março, com sessões as sextas, às 16h, e aos sábados e domingos, às 11 e às 16h. A classificação indicativa é livre. Os ingressos custam R$ 30,00 (inteira) e R$ 15 (meia) e estarão disponíveis no site www.bb.com.br/cultura e na bilheteria física do CCBB Brasília, a partir de 4 de março.

A montagem propõe uma reflexão sensível sobre confiança, respeito, amizade, democracia e convivência coletiva, temas centrais do único texto infantil do autor gaúcho (1948–1996). O projeto conta com patrocínio do Banco do Brasil, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

No elenco estão Bianca Byington, Raquel Karro, Tiago Herz, Lucas Oradovschi, Lucas Popeta, André Celant, Renato Reston, Patricia de Farias, além dos stand-ins Aisha Jambo e Maksin Oliveira. O espetáculo conta ainda com participação especial em vídeo de Malu Mader, exibido na abertura.

A trama acompanha brinquedos e seres mágicos que decidem viver em comunidade em uma floresta, longe do mundo dos humanos, da poluição e do consumo desenfreado. A chegada de três gatos ao local provoca debates sobre convivência, diferenças e democracia. O universo criado lembra uma espécie de rave ou festa hippie, onde personagens como uma sereia cansada da poluição dos mares, uma bruxa de pano, um soldadinho pacifista com vocação para jardinagem, um mágico incompreendido e um roqueiro em busca de tranquilidade convivem em harmonia.

No papel da Bruxa de Pano, Bianca Byington destaca o tom surpreendentemente leve do texto. “É um Caio que não perde o sarcasmo, mas se apresenta de forma delicada. Impressiona como, já em 1971, ele abordava a questão ambiental de maneira simples, sem militância, mas tocando no essencial: a insatisfação com o consumo e o mundo capitalista“, comenta a atriz.

O cenário interativo, criado por Sérgio Marimba, é composto por uma grande estrutura de ferro flexível, que dialoga com a iluminação de Aurélio de Simoni e os figurinos de Danielly Ramos. O espaço convida as crianças a mergulharem em um universo lúdico e colorido, permitindo que os atores se movimentem livremente pelo cenário.

Segundo Gilberto Gawronski, a obra convida o público infantil a refletir sobre coletividade e diversidade. “Não é um texto que trata diretamente de empoderamento feminino, racismo ou gênero, mas abrange tudo isso. O Arco-Íris de Caio é uma ode à diversidade, a um lugar alternativo e utópico, onde a diferença é respeitada“, afirma.

A direção musical é de João Pedro Bonfá, que mescla canções gravadas e música ao vivo. O espetáculo conta ainda com uma composição-tema assinada por Tony Bellotto e seu filho, João Mader, inspirada no hino da Comunidade do Arco-Íris citado no texto original. “Transformamos a música em um rock’n’roll no estilo Titãs, gravado ao vivo em estúdio, o que trouxe uma sonoridade potente e muito interessante para a cena“, explica Bonfá.

Suzana Saldanha e Caio Fernando Abreu 

Apesar de escrita há mais de 40 anos, trata-se de uma peça ecológica e atual. Caio denúncia, naquela época, o mesmo que denuncio hoje, em 2024″, diz Suzana Saldanha, que participou da fundação do inovador Grupo de Teatro Província de Porto Alegre, em 1970, onde trabalhou com Caio Fernando Abreu. “Além de jornalista e escritor, era um belíssimo ator“, lembra. Logo depois, em 1971, Caio escreveu “A Comunidade do Arco-Íris”.

“O texto fala de forma poética sobre esse movimento de pessoas se organizando em comunidades, no auge da ditadura. Para nós, artistas, estava muito ruim. Mas nem todos iam da cidade para o campo. Caio foi para uma comunidade em Londres. Já eu fui morar, em 1973, com colegas de faculdade no Centro de Arte Sensibilização e Aprendizagem, onde também funcionava uma escola de teatro, em Porto Alegre”, recorda.

Quando volta ao Brasil em 1979, Caio entrega A Comunidade do Arco-Íris nas mãos de Suzy Baby, como chamava a amiga Suzana. “Eu fiquei louca com o texto“, lembra a diretora, que, no mesmo ano, estreia o espetáculo sob sua direção. Em 2008, a diretora contribui para a montagem da peça com crianças da Escola Carlitos (SP).

Em 2018, um novo encontro com a obra: Suzana apresenta o texto ao amigo e produtor Flávio Helder, que se apaixona, e decidem remontá-lo. “Eu quero mostrar ao público o lado amoroso e divertido de Caio Fernando, um autor que ficou muito marcado como porta-voz do mundo gay e que não conheceu a fama em vida, mas que hoje é lido por todos, sobretudo o público jovem“, afirma a artista.

Sobre o CCBB Brasília

O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília) foi inaugurado em 12 de outubro de 2000. Sediado no Edifício Tancredo Neves, uma obra arquitetônica de Oscar Niemeyer, tem o objetivo de reunir, em um só lugar, todas as formas de arte e criatividade possíveis.

Com projeto paisagístico assinado por Alda Rabello Cunha, dispõe de amplos espaços de convivência, galerias de artes, sala de cinema, teatro, praça central e jardins, onde são realizados exposições, shows musicais, espetáculos, exibições de filmes e performances.

Além disso, oferece o Programa Educativo CCBB Brasília, projeto contínuo de arte-educação, que desenvolve ações educativas e culturais para aproximar o visitante da programação em cartaz, acolhendo o público espontâneo e, especialmente, estudantes de escolas públicas e particulares, universitários e instituições, por meio de visitas mediadas agendadas.

Em 2022, o CCBB Brasília se tornou o terceiro prédio do Banco do Brasil a receber a certificação ISO 14001, cuja renovação anual ratifica o compromisso da instituição com a gestão ambiental e a sustentabilidade.

Acessibilidade

A ação “Vem pro CCBB” conta com uma van que leva o público, gratuitamente, para o CCBB Brasília, de quinta a domingo. A iniciativa reforça o compromisso com a democratização do acesso e a experiência cultural dos visitantes. A van fica estacionada próxima ao ponto de ônibus da Biblioteca Nacional. 

O acesso é gratuito, mediante retirada de ingresso no site, na bilheteria do CCBB ou ainda pelo QR Code da van. Lembrando que o ingresso garante o lugar na van, que está sujeita à lotação, mas a ausência de ingresso não impede sua utilização. Uma pesquisa de satisfação do usuário pode ser respondida pelo QR Code que consta do vídeo de divulgação exibido no interior do veículo.     

Horários da van | De quinta a domingo

Biblioteca Nacional – CCBB: 13h, 14h, 15h, 16h, 17h, 18h, 19h e 20h 

CCBB – Biblioteca Nacional: 13h30, 14h30, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30, 19h30, 20h30 e 21h30 

Ficha Técnica

Texto: Caio Fernando Abreu

Direção: Suzana Saldanha

Supervisão de direção: Gilberto Gawronski

Elenco:

Bianca Byington (Bruxa de pano);

Raquel Karro (Sereia)

Tiago Herz (Roque)

Lucas Oradovschi (Mágico)

Lucas Popeta (Gato Simão)

André Celant (Soldadinho)

Renato Reston (Gato Tião)

Patricia de Farias (Gata Bastiana)

Stand-in ( Bruxa de Pano): Aisha Jambo

Stand-in ( Mágico): Maksin Oliveira

Participação especial em vídeo: Malu Mader

Cenário: Sérgio Marimba

Iluminação: Aurélio de Simoni

Figurinos: Danielly Ramos

Visagismo: Joana Seibel

Direção de movimento/coreografia: Sueli Guerra

Assistência de movimento/coreografia: Edney d’Conti

Composições e supervisão musical: Tony Belloto em colaboração com João Mader

Direção musical: João Pedro Bonfá

Programação Visual: Juliana Della Costa

Direção de produção: Jenny Mezencio

Coordenação geral e realização: Flávio Helder e BFV Cultura Esporte

SERVIÇO:

A Comunidade do Arco-Íris

Local: CCBB Brasília  

Endereço: SCES Trecho 02 Lote 22 – Edif. Presidente Tancredo Neves – Setor de Clubes Especial Sul  

Temporada: de 12 a 29 de março (estreia na quinta-feira, 12)

Sessões: sexta, às 16h; sábados e domingos, às 11h e 16h
Sessão com libras: dia 21 de março, às 16h

Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$15,00 (meia) 

Classificação indicativa: Livre   

 Fonte:  Conteúdo Comunicação

Fotos: Divulgação 

 

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