Mais de 350 crianças e adolescentes vítimas de violência sexual foram atendidos pelo Centro Integrado 18 de Maio ao longo de 2024. Os dados, agora sistematizados no Anuário Centro Integrado 18 de Maio 2025, revelam um retrato detalhado da violência infantojuvenil no Distrito Federal e mostram quem são as vítimas, como os casos acontecem, quais os vínculos com os agressores e como ocorre a atuação da rede de proteção.
Lançado na manhã desta terça-feira (26), na sede do Centro 18 de Maio, o documento reúne informações de 357 atendimentos realizados em 2024 e apresenta um panorama sobre as características da violência sexual contra crianças e adolescentes acolhidos pelo serviço especializado da Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF).
Perfil das vítimas e da violência
Os dados apresentados no anuário mostram que 75,4% das vítimas atendidas em 2024 eram do sexo feminino. A maior parte dos casos envolveu situações de violência sexual recorrente praticada por pessoas conhecidas da vítima, especialmente familiares, padrastos, parentes próximos ou pessoas do convívio familiar.
O levantamento aponta, ainda, que 64,1% das violências ocorreram dentro da residência da vítima ou do agressor, evidenciando o ambiente doméstico como principal local de ameaça e violação. Em muitos casos, o abuso acontecia de forma continuada e silenciosa, dificultando a identificação imediata pela rede de proteção.
Outro dado importante revela que mães e responsáveis foram as principais pessoas procuradas pelas vítimas no momento da revelação da violência. Os encaminhamentos ao Centro 18 de Maio ocorreram principalmente por meio de conselhos tutelares, delegacias, unidades de saúde, escolas e órgãos do sistema de Justiça.
As regiões administrativas com maior número de atendimentos registrados pelo Centro 18 de Maio foram Ceilândia, com 40 casos (11,2% do total); Samambaia, com 29 ocorrências (8,1%); Paranoá, com 24 casos (6,7%); Riacho Fundo, com 23 registros (6,4%); e Sobradinho, com 20 atendimentos (5,6%).
Mais do que números, o anuário também apresenta reflexões sobre o que existe em cada atendimento: os impactos emocionais, sociais e familiares enfrentados pelas vítimas, além dos desafios cotidianos das equipes que atuam na proteção e no acolhimento dessas crianças e adolescentes.
A coordenadora do Centro Integrado 18 de Maio, Joana D’Arc Fernandes, destacou que o documento ajuda a fortalecer a atuação da rede de proteção e amplia a compreensão sobre a realidade enfrentada pelas vítimas. “Cada atendimento exige sensibilidade, integração e atuação contínua para garantir segurança e cuidado às crianças, adolescentes e suas famílias”, afirmou. Já para a psicóloga e assessora técnica do Centro 18 de Maio, Tatiana Farias Moreira, uma das responsáveis pela elaboração do documento, o anuário “traz transparência ao trabalho realizado e fortalece a construção de políticas públicas baseadas em evidências.”
Transparência e fortalecimento da rede
Com 82 páginas, o anuário reúne ainda informações sobre o funcionamento do Centro 18 de Maio, o trabalho realizado em rede e os desafios enfrentados no combate à violência sexual infantojuvenil no Distrito Federal.
O secretário de Justiça e Cidadania interino, Jaime Santana, ressaltou que o documento amplia a capacidade de atuação do poder público. “Essas informações permitem compreender melhor a realidade enfrentada pelas vítimas e fortalecer ações de prevenção, acolhimento e proteção”, afirmou. Na mesma linha, a subsecretária de Políticas para Crianças e Adolescentes da Sejus-DF, Maria do Socorro Lucena de Araujo, destacou que “a transformação dessas informações em conhecimento qualificado amplia a capacidade de resposta do Estado diante das violências cometidas contra crianças e adolescentes”.
Trabalho interinstitucional
O anuário também destaca a parceria entre o Centro Integrado 18 de Maio, a Coordenação da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (CIJ/TJDFT) e o Observatório da Criança e do Adolescente, responsáveis por apoiar a sistematização e análise dos dados apresentados no documento, no âmbito do Acordo de Cooperação Técnica nº 05/2021.
A assessora coordenadora da CIJ/TJDFT, Luana Pinheiro, destacou que o anuário representa um esforço conjunto para fortalecer políticas públicas fundamentadas em evidências e aprimorar a proteção integral de crianças e adolescentes. “O enfrentamento à violência sexual exige integração entre instituições e responsabilidade compartilhada. Nenhum órgão consegue enfrentar sozinho a complexidade dessas violações”, afirmou.
O Anuário Centro Integrado 18 de Maio 2025 está disponível gratuitamente em versão digital no portal da Secretaria de Justiça e Cidadania do DF.
*Com informações da Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF)







