“Debilitante.” É assim que Rosiane Matos de Sousa descreve a dor que sente há cerca de quatro meses. Recepcionista, ela passa a maior parte do dia sentada em frente ao computador. Após consulta com ortopedista e realização de exames, recebeu o diagnóstico de distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho (Dort), popularmente conhecido como lesão por esforço repetitivo (LER). “Eu tive três filhos de parto normal e essas dores são como se eu tivesse tido outros três. Quando ataca, eu não consigo me mover”, relata.
Neste sábado (28), é celebrado o Dia Mundial de Combate ao Dort. Dados da Secretaria de Saúde (SES-DF) mostram que as notificações da condição vêm crescendo de forma acelerada. Foram 62 casos registrados em 2022. Em 2023, o número saltou para 699. Em 2024, chegou a 1.235 e, em 2025, atingiu 1.694 ocorrências, o maior volume já registrado.
O Dort está diretamente relacionado às atividades profissionais e provoca dor em músculos, tendões, articulações e nervos. A principal causa é a repetição constante de movimentos associada a posturas inadequadas e falta de ergonomia no ambiente de trabalho.
Entre os sintomas mais comuns estão dor persistente, formigamento, dormência, sensação de peso, rigidez, perda de força nas mãos, punhos, ombros ou coluna, além de inchaço e inflamação.
A fisioterapeuta do Hospital de Base do Distrito Federal, Ronara Mangaravite, explica que o problema atinge principalmente trabalhadores que exercem funções administrativas ou permanecem longos períodos na mesma posição. “As regiões do pescoço, costas e membros superiores já são naturalmente tensionadas para sustentar a cabeça e a coluna. Quando essa tensão se soma à falta de ergonomia, o risco de desenvolver o Dort aumenta”, afirma.
Prevenção começa na rotina
O Dort pode ser evitado com medidas simples, como prática regular de atividade física, pausas durante o expediente e ajustes na altura da cadeira, mesa e monitor. Manter apoio adequado para braços e costas também é fundamental.
“Se a pessoa passa 12 horas sentada na mesma posição, na frente de um computador, muitas vezes ela nem percebe que está inadequada. Essa repetição diária, ao longo de meses, pode lesionar qualquer pessoa”
Ronara Mangaravite, fisioterapeuta
“Se a pessoa passa 12 horas sentada na mesma posição, na frente de um computador, muitas vezes ela nem percebe que está inadequada. Essa repetição diária, ao longo de meses, pode lesionar qualquer pessoa”, orienta a fisioterapeuta.
Quando não tratado, o problema pode evoluir para tendinites, rupturas musculares e dores crônicas. “Essas lesões são tratáveis e curáveis, mas acontecem justamente porque a pessoa não se prepara fisicamente para aquela rotina de trabalho”, completa.
O tratamento envolve medicamentos, fisioterapia e exercícios de fortalecimento muscular para evitar que a dor retorne. Em casos mais graves, pode haver indicação cirúrgica. O cuidado com a saúde mental também é importante, já que o estresse contribui para o
aumento da tensão muscular.
“O trabalho da fisioterapia é devolver a função para a pessoa e dar condições de trabalhar. Vamos desinflamar, alongar, fazer correções. Mas esse processo precisa ser associado a exercícios contínuos. Se a repetição voltar sem preparo, o Dort pode reaparecer”,
explica.
Rosiane afirma que a fisioterapia tem sido essencial para aliviar as crises. “É o que mais me estabiliza. Sempre saio das sessões muito bem, mas quando volto a trabalhar, as dores reaparecem”, desabafa.
A orientação é procurar atendimento médico ao perceber sintomas persistentes. O diagnóstico precoce evita agravamentos e permite que o tratamento seja iniciado de forma adequada.
*Com informações do IgesDF









