Espetáculo brasiliense usa teatro e plástico para alertar sobre emergência climática


Em um tempo em que o planeta arde e a vida se vê encurralada por guerras, excesso de consumo e catástrofes ambientais, Desabafo do Bicho – 89 segundos para Meia-Noite chega como gesto artístico e grito existencial. O espetáculo apresenta corpos híbridos que se movem entre o humano e o animal, numa cena marcada pela força do instinto e pela urgência da reflexão.

O palco é tomado por um mar de sacos plásticos amarelos. Esse cenário de resíduos se converte em matéria viva: é pele, é abrigo, é ameaça. Os intérpretes vestem, arrastam e disputam o plástico, como quem tenta sobreviver em meio à própria destruição. A imagem não se limita a ilustrar: abre espaço para o imaginário de um mundo plastificado, que pode ser tanto pós-apocalíptico quanto o reflexo de agora.

A dramaturgia foi criada coletivamente, em episódios que podem ser vistos de forma independente, mas que se entrelaçam em torno da mesma questão: e se os animais pudessem falar, o que diriam sobre a crise climática? Para Luciana, uma das atrizes-criadoras, “a ação humana afeta todos os seres, vivos e não vivos, orgânicos e inorgânicos. A gente quis imaginar que desabafo seria esse, atravessado pelo olhar do bicho e do humano ao mesmo tempo.”

O espetáculo recusa a lógica de oferecer soluções prontas. Ele se sustenta na força do gesto, do movimento, da sensação. “É difícil achar uma moral da história. O que a gente tenta é olhar para a situação atual, identificar os problemas e deixar em aberto o que cada pessoa pode fazer, individual ou coletivamente”, afirma Luciana.

No tempo presente, em que relatórios científicos anunciam recordes de aquecimento global e populações inteiras enfrentam as consequências do colapso ambiental, Desabafo do Bicho – 89 segundos para Meia-Noite ganha potência como experiência artística e política. Mais do que informar, ele propõe um estado de sensibilidade, especialmente para o público jovem: “Nosso objetivo é provocar sentimentos. A criança, o adolescente, não chegam pelo discurso racional, mas pela sensibilidade. Queremos que eles sintam a urgência de estar vivos nesse tempo”, completa Luciana.

Desabafo do Bicho – 89 segundos para Meia-Noite é, portanto, mais do que espetáculo. É convite a ouvir o grito que atravessa corpos, bichos, minerais, plásticos e gente. É um lembrete de que o relógio corre, de que o ponto sem retorno se aproxima — e que imaginar outros mundos possíveis ainda é tarefa urgente.

 

SERVIÇO

Agenda de Apresentações – Desabafo do Bicho – 89 segundos para Meia-Noite

Temporada Planaltina (Local: Complexo Cultural de Planaltina)
0/10 – Sessão para escolas – 15h (com LIBRAS, audiodescrição e mediação de debate)
10 a 12/10 – Sessões abertas ao público – 20h

Temporada Ceilândia (Local: Sesc Ceilândia – Newton Rossi)
14 a 16/10 – Sessões abertas ao público – 20h
16/10 – Sessão para escolas – 15h (com LIBRAS, audiodescrição e mediação de debate)

07/11 – Sessão para escola – 10h50 (Local: Auditório do IFB de Samambaia)

Entrada gratuita – ingressos disponíveis na bilheteria do teatro 1h antes de cada apresentação.

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