O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) promoveu, nesta sexta-feira (30), uma capacitação voltada à prevenção, ao diagnóstico e à abordagem multiprofissional do câncer colorretal. A iniciativa buscou qualificar o atendimento na rede pública, abordando desde o reconhecimento inicial dos sintomas até as alternativas terapêuticas e os cuidados paliativos oferecidos aos pacientes e seus familiares.
Desafios e estatísticas da doença
A enfermidade tem atingido figuras públicas amplamente conhecidas, como o ator Chadwick Boseman e a cantora Preta Gil, além de milhares de brasileiros que frequentemente descobrem o problema em estágios avançados. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) durante o evento indicam que o Brasil poderá registrar cerca de 53,8 mil novos casos anuais da patologia entre os anos de 2026 e 2028, evidenciando a urgência de ampliar o acesso à informação e investigar rapidamente sinais suspeitos.
O câncer colorretal acomete o intestino grosso, dividindo-se entre cólon e reto, e geralmente se origina a partir de pólipos — pequenas alterações na mucosa intestinal que podem se tornar malignas com o tempo. Entre os principais alertas clínicos estão sangramentos nas fezes, alterações intestinais duradouras, dores abdominais, anemia e perda de peso sem explicação aparente. Fatores como obesidade, tabagismo, sedentarismo e consumo exagerado de carnes processadas ou álcool elevam consideravelmente o risco.
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Abordagem preventiva e métodos de detecção
Durante o encontro, a fisioterapeuta Amanda Gomes de Araujo, residente do Programa de Residência Multiprofissional em Oncologia do IgesDF e responsável pela palestra principal, destacou a importância da investigação precoce. “A doença pode passar muito tempo sem apresentar sintomas. Por isso, é importante estar atento aos sinais e realizar os exames de rastreamento quando indicados. Quanto mais cedo o câncer é identificado, maiores são as possibilidades de um tratamento bem-sucedido”, explica Amanda.
Entre os exames apresentados no treinamento estão o teste imunoquímico fecal (FIT) — capaz de detectar vestígios ocultos de sangue nas fezes — e a colonoscopia, método que examina o interior do intestino, possibilita a remoção de pólipos e a coleta de tecidos para biópsia.
Cuidado integral e suporte humanizado
O evento também debateu as modalidades de tratamento, que abrangem cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo, definidas conforme o estágio e as condições clínicas de cada indivíduo. Outro destaque foi a aplicação dos cuidados paliativos, que não se restringen ao final da vida. “Os cuidados paliativos podem começar desde o diagnóstico de uma doença grave. O objetivo não é olhar apenas para a doença, mas também para o sofrimento físico, psicológico, social e espiritual do paciente, além de oferecer suporte à família e aos cuidadores”, detalha a fisioterapeuta.
Para a farmacêutica Andressa Garcez, também residente em oncologia do IgesDF, o conteúdo dialoga diretamente com o cotidiano assistencial da instituição. “A palestra é essencial porque traz o reconhecimento da doença desde o rastreamento, na atenção primária, até toda a linha de cuidado clínico, incluindo o tratamento e os cuidados paliativos. É justamente o que vivenciamos aqui no Hospital de Base, tanto no ambulatório quanto na internação”, afirma.
Por fim, a integração entre as diferentes especialidades médicas e de saúde garante um plano terapêutico individualizado, respeitando a autonomia e o bem-estar dos enfermos. “É importante entender o que devemos priorizar como equipe multiprofissional e como essa conversa precisa acontecer entre os profissionais e a família, para que tudo esteja bem-alinhado”, conclui Andressa.










