Convivendo com sangramentos intensos e vendo o quadro se agravar, Varli Santos Teixeira, de 56 anos, procurou atendimento no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) na madrugada do último sábado (23). Internada por conta de uma hemorragia causada por um mioma uterino, tumor benigno que se desenvolve no útero, ela representa a realidade de muitas pacientes que adiam a procura por ajuda especializada e chegam aos serviços de saúde com sintomas agravados.
“Eu já estava sangrando havia uns 15 dias, mas o fluxo aumentou muito. Quando cheguei aqui na emergência do centro obstétrico, eu desmaiei, minha pressão baixou bastante”, relembra Varli, moradora de Santa Maria. Ao chegar à unidade, ela recebeu atendimento imediato e foi encaminhada para internação. Agora, aguarda a realização de uma histerectomia, cirurgia para retirada do útero. “Cheguei às 3h e fui atendida prontamente. Tudo aconteceu muito rápido. Fui encaminhada para a internação e agora estou aguardando os exames para fazer a cirurgia nos próximos dias.”
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“Muitas acabam adiando a busca por assistência por medo, vergonha, dificuldade de acesso ou até por acreditarem que determinados sintomas são normais, principalmente após o parto ou com o avanço da idade”
Aline Guerin, ginecologista
Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher
Neste 28 de maio, data em que é celebrado o Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher, o Hospital Regional de Santa Maria destaca a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento contínuo e do acesso aos serviços especializados. Segundo a ginecologista Aline Guerin, do setor de cirurgia ginecológica do HRSM, grande parte dos casos acompanhados no serviço envolve condições benignas que impactam diretamente a rotina e a qualidade de vida das pacientes.
Entre os quadros mais frequentes estão miomas uterinos, pólipos, pequenas alterações que surgem dentro do útero, perda involuntária de urina e prolapsos pélvicos, condição popularmente conhecida como “queda” de órgãos da região pélvica, como bexiga e útero. “Muitas mulheres convivem durante anos com sangramentos intensos, dores pélvicas, sensação de peso vaginal e perda urinária. Essas alterações acabam afetando não apenas a saúde física, mas também a autoestima, a vida social e o emocional”, explica a especialista.
Segundo a médica, um dos principais desafios ainda é incentivar a procura por atendimento logo nos primeiros sinais. “Muitas acabam adiando a busca por assistência por medo, vergonha, dificuldade de acesso ou até por acreditarem que determinados sintomas são normais, principalmente após o parto ou com o avanço da idade”, ressalta Aline Guerin.
Da prevenção às urgências ginecológicas
O ambulatório do HRSM, unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), atende diariamente pacientes que buscam acompanhamento especializado, tratamento e melhoria da qualidade de vida. O acesso aos serviços começa pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), responsáveis pelas avaliações iniciais e pelos encaminhamentos para consultas e exames específicos. Depois dessa etapa, as solicitações são inseridas no Sistema de Regulação (Sisreg), da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF).
Entre os serviços oferecidos estão pré-natal de alto risco, histerectomia, cirurgias uroginecológicas para tratamento de alterações do assoalho pélvico e do sistema urinário feminino, perineoplastia, procedimento realizado para reconstrução da região do períneo, mastectomia, reconstrução mamária em casos de câncer de mama e procedimentos como a Aspiração Manual Intrauterina (Amiu), técnica utilizada para esvaziamento do útero em situações específicas.
Além do atendimento ambulatorial, o pronto-socorro do Centro Obstétrico realiza atendimentos ginecológicos de urgência, incluindo casos relacionados ao câncer ginecológico, sangramentos intensos, acolhimento a vítimas de violência sexual e assistência a mulheres em trabalho de parto.
Para a gerente da maternidade do HRSM, Ivonete Rodrigues, garantir uma linha de cuidado eficiente significa oferecer assistência integrada em todas as etapas do atendimento. “A saúde da mulher envolve cuidado, escuta e acompanhamento contínuo em diferentes fases da vida. Nosso objetivo é fazer com que cada paciente se sinta amparada, seja em uma consulta no ambulatório ou em um momento de urgência”, explica.
*Com informações do IgesDF









