Obesidade infantil exige atenção das famílias aos primeiros sinais

Foi dentro de casa que a assistente administrativa Thaynara Aguiar percebeu que algo não estava bem com a filha, Vallentina Louzeiro, de 7 anos. “Ela comia muito rápido e em grandes quantidades. Muitas vezes, repetia a refeição e, se sobrasse comida do irmão, também queria comer. Foi quando comecei a entender que precisava olhar para aquela situação com mais atenção”, relembra.

A preocupação aumentou à medida que os sinais se tornavam mais evidentes. Além do ganho de peso, Vallentina passou a sentir dores nos joelhos e enfrentou comentários desagradáveis na escola. “Como mãe, fiquei muito preocupada. Ver minha filha tão pequena sofrendo com dores e sendo alvo de ‘brincadeiras’ por causa do peso me fez perceber que era hora de agir”, conta.

Dores nas pernas, dificuldade para acompanhar brincadeiras, mudanças no comportamento e sofrimento emocional são alguns dos sinais de alerta para a obesidade infantil. O problema vem aparecendo cada vez mais cedo entre crianças e adolescentes.

O alerta ganha ainda mais relevância diante de um cenário preocupante: segundo relatório recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), uma em cada cinco crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos está acima do peso no mundo. Ao todo, são cerca de 391 milhões de jovens nessa condição, sendo que quase metade já convive com a obesidade.

No Dia da Conscientização Contra a Obesidade Infantil, celebrado nesta quarta-feira (3), especialistas do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), reforçam a importância da adoção de hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida e do olhar atento das famílias.

Dores nas pernas, dificuldade para acompanhar brincadeiras, mudanças no comportamento e sofrimento emocional são alguns dos sinais de alerta para a obesidade infantil | Foto: Divulgação/IgesDF

Pequenas mudanças, grandes resultados

Segundo o pediatra do HRSM Luis Henrique Costa, o aumento dos casos de excesso de peso entre crianças está diretamente relacionado às mudanças no estilo de vida observadas nos últimos anos.

“Atualmente, alimentos industrializados, congelados e prontos para consumo costumam ser mais acessíveis e práticos do que opções frescas. Quando isso se soma ao excesso de tempo diante das telas, à redução das atividades físicas e a hábitos alimentares inadequados, o resultado é o crescimento dos índices de sobrepeso e obesidade infantil”, explica.

Segundo o especialista, o excesso de peso na infância pode aumentar o risco de problemas como hipertensão, diabetes, dores articulares, alterações hormonais e impactos emocionais que podem acompanhar a criança ao longo da vida. No caso da Vallentina, a mudança começou dentro de casa.

A mãe, Thaynara, revisou a rotina alimentar da família retirando refrigerantes, doces e outros produtos ultraprocessados do dia a dia. Também passou a orientar a filha a comer com mais calma e a respeitar os sinais de saciedade. “Entendi que ela consumia aquilo que estava disponível. Então, a responsabilidade também era minha. Começamos a fazer escolhas melhores e a construir uma relação mais equilibrada com a comida”, afirma.

Com as mudanças na rotina, Vallentina perdeu cerca de cinco quilos e passou a apresentar mais disposição, melhora no bem-estar e mais qualidade de vida.

A nutricionista da unidade, Ingrid Oliveira, destaca que a prevenção começa dentro de casa e não depende de mudanças radicais. Segundo ela, pequenas escolhas feitas diariamente podem fazer grande diferença na saúde das crianças. “Quanto mais colorido for o prato, melhor. Frutas, legumes e verduras devem fazer parte da alimentação do dia a dia”, orienta.

Ingrid ressalta que os impactos de uma alimentação inadequada vão muito além do ganho de peso. De acordo com a especialista, o organismo não foi preparado para receber tantos alimentos ultraprocessados e produtos artificiais. “Esse consumo excessivo pode comprometer o crescimento, a saúde óssea, o equilíbrio hormonal e até o bem-estar emocional de crianças e adolescentes. Por isso, estimular hábitos saudáveis desde cedo é uma forma de promover mais saúde e qualidade de vida ao longo dos anos”, conclui.

*Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)

Agencia Brasília

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