Até onde o corpo pode resistir? Essa é a provocação central de Pelle: A Maripoza, espetáculo solo da artista circense Aisha Britto, que estreia a partir de 7 de agosto em Brasília, com apresentações no Galpoa (Vila Planalto) e no Espaço Pé Direito (Vila Telebrasília).
Misturando circo contemporâneo, dança e experimentações sonoras e visuais, a obra coloca o corpo feminino no centro da cena como território de memória, denúncia e liberdade. A performance convida o público a refletir sobre marcas — visíveis e invisíveis — deixadas pela violência, sem recorrer à sua representação direta.
O espetáculo nasceu de vivências pessoais da artista durante sua formação na Scuola di Circo FLIC, na Itália. Ao perceber que seu corpo suportava impactos considerados incomuns, Aisha passou a investigar como a sociedade constrói expectativas sobre os corpos das mulheres — e como aquelas que não performam fragilidade frequentemente causam estranhamento.
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“Pelle surgiu da pergunta sobre o que permanece em nós após a violência e de que forma a arte pode reorganizar aquilo que parecia impossível de reconstruir”, explica a artista.
Ao longo do processo criativo, relatos de outras mulheres foram incorporados à pesquisa, ampliando a dimensão coletiva da obra. A dramaturgia sensorial se desenvolve a partir de técnicas como o Mastro Chinês e o Mastro Pendular, conduzindo o público por uma experiência que transforma dor em potência criativa.
Mais do que falar sobre violência, Pelle: A Maripoza propõe um olhar sobre transformação. “O espetáculo não é sobre o que nos acontece, mas sobre o que fazemos com isso. É sobre reorganizar memórias por meio do movimento e reconhecer que as cicatrizes também podem se tornar matéria de criação”, completa Aisha.
Turnê acessível e inclusiva
A temporada começa no Galpoa entre os dias 7 e 9 de agosto. A sessão de estreia será exclusiva para mulheres (cis e trans), criando um ambiente seguro de escuta e troca. Em seguida, o espetáculo segue para o Espaço Pé Direito, entre os dias 14 e 16 de agosto, sempre às 20h. Após cada apresentação, haverá um bate-papo com a artista.
Todas as sessões contam com intérprete de Libras, e duas delas também terão audiodescrição para pessoas com deficiência visual. A programação inclui ainda uma roda de conversa realizada anteriormente no Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília, com participação da psicóloga Lika Queiroz.
O projeto é viabilizado pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal e reforça seu compromisso com a acessibilidade ao encerrar a programação com a Oficina de Consciência Corporal e Mobilidade, ministrada por Aisha Britto no dia 29 de agosto, no Galpoa. A atividade é voltada especialmente para pessoas com deficiência física, mobilidade reduzida e público interessado em práticas corporais inclusivas.
Serviço
Pelle: A Maripoza
📅 A partir de 7 de agosto
📍 Galpoa (Vila Planalto) e Espaço Pé Direito (Vila Telebrasília)
🎟️ Entrada gratuita (mediante retirada de ingressos)
🔗 Ingressos: https://linktr.ee/amaripoza
📲 Instagram: @amaripoza_pelle
Programação
Galpoa – Vila Planalto
• 07/08 – 20h | Sessão exclusiva para mulheres (cis e trans) + Libras
• 08/08 – 20h | Libras + audiodescrição
• 09/08 – 20h | Libras
Espaço Pé Direito – Vila Telebrasília
• 14/08 – 20h | Libras + audiodescrição
• 15/08 – 20h | Libras
• 16/08 – 20h | Libras
Oficina de Consciência Corporal e Mobilidade
📅 29/08 | ⏰ 14h às 17h
📍 Galpoa – Vila Planalto









