O presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Wlamir Motta Campos, acredita ser possível conquistar “três a quatro medalhas” nos Jogos de Los Angeles (Estados Unidos) em 2028. A modalidade é a segunda que mais concedeu pódios olímpicos ao país (21), atrás somente do judô (28).

“Eu falo que não gosto de colocar responsabilidade para os atletas, mas tenho que chamá-la para mim. E a gente quer sempre mais. Então, a expectativa é de buscar três a quatro medalhas em Los Angeles, contribuindo com o Time Brasil”, projetou Campos, em entrevista à TV Brasil.
Se o atletismo brasileiro atingir o mínimo esperado pelo dirigente (três), já será o melhor desempenho da modalidade em uma única Olimpíada, igualando o de Pequim (China) em 2008. Na ocasião, foram três medalhas: ouro para Maureen Maggi (salto em distância) e dois bronzes para os revezamentos 4×100 metros masculino e feminino.
Os dois últimos resultados, porém, só foram confirmados anos depois, após as equipes campeãs das provas nos dois naipes serem desclassificadas por doping e o Brasil herdar o terceiro lugar nos dois revezamentos. Apenas Maureen recebeu a premiação durante os Jogos.
É OURO PARA CAIO BONFIM! É CAMPEÃO DO MUNDO! 🥇🇧🇷
Caio Bonfim escreveu mais um capítulo histórico para o atletismo brasileiro. Com técnica, estratégia e uma determinação que não se abala, o brasiliense venceu os 20 km da marcha atlética no Campeonato Mundial de Atletismo Tóquio… pic.twitter.com/G83dQvYGOw
— Time Brasil (@timebrasil) September 20, 2025
“[Para 2028] nós temos o Caio [Bonfim, campeão mundial e medalhista olímpico da marcha atlética] como uma referência, que chegará muito forte. Temos também a Juliana Campos, do salto com vara [finalista em Mundial], que vem em uma crescente muito boa”, descreveu o presidente da CBAt.
“O Alison dos Santos, o Piu [campeão mundial dos 400 metros com barreiras], já tem duas medalhas olímpicas [ambas de bronze] e Los Angeles vai ser a Olimpíada dele. E o Luiz Maurício, no ano passado, fez a segunda marca do mundo no lançamento do dardo. Ele é um menino muito novo [26 anos], que terá seu ápice em Los Angeles”, completou.
Mundial de Marcha
Caio Bonfim, aliás, será a principal atração do Campeonato Mundial por Equipes de Marcha Atlética, que será realizado no próximo dia 12 de abril, em Brasília. A capital federal é a casa do marchador, prata na Olimpíada de Paris (França) em 2024 e ouro no Mundial de Atletismo do ano passado, em Tóquio (Japão). Ambas as conquistas na distância de 20 quilômetros.
São seis disputas. Às 7h (horário de Brasília) começam as maratonas, masculina e feminina, com 42,2 quilômetros de percurso. A distância passou a ser adotada este ano pela World Athletics, federação internacional da modalidade, substituindo a prova de 35 quilômetros, na qual Caio foi medalhista de prata no Mundial em 2025.
The World Athletics Council has awarded the following World Athletics Series events:
👉 2026 World Athletics Relays – Gaborone (2-3 May 2026)
👉 2026 World Athletics Race Walking Team Championships – Brasília (12 April 2026)
👉 2028 World Athletics Relays – Nassau (date TBC)— World Athletics (@WorldAthletics) March 25, 2025
Entre 7h30 (homens) e 8h30 (mulheres), largam os marchadores das provas sub-20, que têm 10 quilômetros. Por fim, ocorrem as disputas da meia-maratona, com 21,1 quilômetros – que substitui a disputa dos 20 quilômetros. A saída do pelotão masculino está marcada para 11h05 e a do feminino para 12h50. Esta última será a distância olímpica da competição de marcha atlética em Los Angeles.
“[O Mundial] será na Esplanada dos Ministérios. A largada da prova e a chegada vão se dar em frente à Catedral. Foi um processo muito difícil, mas estamos muito felizes. Contamos com todo o apoio do Governo Federal, da Caixa e das Loterias Caixa, nossos patrocinadores master. Queremos entregar o melhor Mundial de Marcha Atlética de todos os tempos”, projetou Campos.
“O Caio terá todo o apoio da torcida, o que fará uma grande diferença. E ele está acostumado ao clima de Brasília, que, acho, será o maior desafio dos demais atletas. Por mais que ele não treine na Esplanada dos Ministérios, fizemos, há um mês, um evento-teste no mesmo percurso [do Mundial] e o Caio se saiu muito bem. Em fevereiro, ele disputou, como convidado, o Campeonato Japonês de Marcha Atlética, torneio nacional mais forte do mundo, e bateu o recorde brasileiro”, destacou.
Sonho complexo
Ainda segundo o dirigente, o Brasil se candidatou para receber, em 2028, outro Mundial: o de Corrida de Rua. Realizado desde 2023, o evento é anual e conta com três provas: milha (1,609 quilômetro), 5 quilômetros e meia maratona. A edição de 2026, marcada para 20 de setembro, terá Copenhague (Dinamarca) como sede. Em 2027, a competição será em Yamgzhou (China).
O sonho futuro é o de sediar um Mundial de Atletismo envolvendo todas as provas (no de Tóquio, foram 49 eventos e 147 disputas por medalha). A próxima edição será em Pequim, em 2027. Segundo Campos, porém, o país não tem, no momento, um estádio com estrutura para sediar a competição.
“Hoje, esbarramos nas pistas. Nós tínhamos o Engenhão [Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro], que recebeu os Jogos Pan-Americanos [em 2007] e Olímpicos [2016], mas a grama foi substituída pela sintética. Para fazer um Mundial, você precisa de duas pistas de atletismo. Uma dentro do estádio e uma fora, para aquecimento. No Brasil, só temos o Engenhão com essa estrutura. O caminho mais curto, hoje, seria colocar grama natural no Engenhão”, concluiu o presidente da CBAt.









