O avanço das fraudes digitais ao longo de 2025 colocou o Brasil entre os principais focos globais de crimes cibernéticos, elevando o nível de alerta para grandes eventos populares. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que mais de 56 milhões de brasileiros foram vítimas de golpes ou fraudes financeiras digitais entre 2024 e 2025, sobretudo por meio de engenharia social, aplicativos bancários e sistemas de pagamento instantâneo.
Esse cenário ganha ainda mais relevância às vésperas do Carnaval 2026, que deve registrar movimentação financeira recorde. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a festa deve movimentar mais de R$14 bilhões em todo o país, ampliando a exposição de consumidores a riscos digitais. “O Carnaval concentra uma série de fatores que aumentam significativamente o risco de golpes, como distração elevada, decisões impulsivas, maior circulação de dinheiro e uso intenso do PIX e do celular em ambientes abertos”, afirma Rodolfo Almeida, co-founder e COO da ViperX.
Os 12 golpes mais visados para o Carnaval 2026
O especialista aponta e explica os principais riscos, confira abaixo:
1️. Golpe da maquininha adulterada
Maquininhas com visor quebrado, valores ocultos ou dispositivos modificados são usadas em pagamentos rápidos na rua. Risco real: cobrança de valores maiores, clonagem de dados do cartão e uso posterior em compras e saques
2️. Golpe do PIX com valor alterado
O QR Code mostra um valor, mas na confirmação o montante transferido é maior ou vai para outra conta. Risco real: perda financeira imediata, dificuldade de reversão e sensação falsa de “erro operacional”, quando na verdade é fraude
3️. Golpe do PIX “por engano”
O criminoso envia um PIX e pede a devolução para outra chave. Ao devolver fora do mecanismo oficial do banco, a vítima perde o dinheiro duas vezes. Risco real: perda dupla e Impossibilidade de contestação posterior.
4️. Wi-Fi falso em blocos e eventos
Redes com nomes parecidos aos oficiais interceptam dados de quem se conecta. Risco real: roubo de senhas, sequestro de contas e instalação silenciosa de malware.
5️. Sites falsos de ingressos e camarotes
Páginas quase idênticas às oficiais vendem ingressos inexistentes. Risco real: perda financeira, roubo de dados de cartão ou PIX e reutilização desses dados em outras fraudes
6️. Golpe da troca de cartão
Durante o pagamento, o criminoso observa a senha e devolve outro cartão parecido. Risco real: uso imediato do cartão verdadeiro e saques e compras antes que a vítima perceba
7️. Golpe do beijo
A distração durante interações físicas é usada para furtar celulares e carteiras. Risco real: acesso a apps bancários, reset de senhas e movimentação rápida de contas digitais
8️. Golpe da confusão
Empurra-empurra ou brigas falsas criam caos momentâneo. Risco real: furto de celulares e cartões e exploração digital logo após o roubo físico
9️. Engenharia social “no bloco”
Golpistas se passam por seguranças, organizadores ou “novos amigos”. Risco real: obtenção de dados pessoais, códigos de verificação e transferências induzidas no calor do momento
- Deepfakes e clonagem de voz com IA
Áudios ou vídeos falsos simulam familiares, executivos ou bancos pedindo dinheiro urgente. Risco real: fraudes altamente convincentes, quebra de confiança e crescimento acelerado desse tipo de golpe (mais de 100% no Brasil)
- Notificações e links maliciosos
Mensagens de “confirmação de pagamento”, “promoção relâmpago” ou “bloqueio urgente”. Risco real: roubo de credenciais, sequestro de contas e acesso em cascata a outros serviços
- Roubo de celular com exploração digital
Após o furto físico, criminosos tentam acessar apps e redefinir senhas rapidamente. Risco real: esvaziamento de contas, comprometimento de identidade digital e fraudes secundárias usando seus dados
Confira as 5 principais dicas para se prevenir
- Desconfiar de pedidos financeiros urgentes
- Evitar redes Wi-Fi públicas
- Ativar biometria, autenticação multifator e bloqueio remoto do celular
- Preferir pagamentos por aproximação com limites baixos
- Nunca devolver PIX fora dos canais oficiais do banco
“O Carnaval não cria novos golpes, mas amplifica vulnerabilidades já existentes. Em um cenário de avanço acelerado das fraudes digitais no Brasil, a conscientização e a prevenção antes da festa são decisivas para evitar prejuízos financeiros, exposição de dados pessoais e longos processos de recuperação após ataques.Segurança digital também é uma forma de autocuidado e começa antes do primeiro bloco, conclui o executivo.
Fonte: Leticia Olivares
Foto: Divulgação








