Com celulares nas mãos, múltiplas telas abertas e diferentes plataformas conectadas ao mesmo tempo. A forma como as pessoas consomem informação e entretenimento mudou profundamente. Para compreender esse novo comportamento das audiências, o projeto “Alfabetização Transmídia – Alphamidia”, desenvolvido na Universidade Católica de Brasília (UCB), investiga como as audiências, especialmente os jovens, navegam em um ambiente marcado pela convergência de mídias, no qual televisão, redes sociais, plataformas de streaming e aplicativos se conectam e interagem.
Coordenada pelo professor e pesquisador Alexandre Schirmer Kieling, do Programa de Pós-Graduação em Inovação em Comunicação e Economia Criativa da UCB, a pesquisa analisa as competências de uso das mídias digitais em um cenário marcado pela convergência entre televisão, redes sociais, plataformas de streaming e dispositivos móveis.
O estudo recebeu apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) por meio do edital Demanda Espontânea (2021), voltado ao fomento de projetos científicos, tecnológicos e de inovação.
O apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal foi essencial para a realização do estudo, possibilitando a formação da equipe e o desenvolvimento das atividades de campo.
“Sem o apoio da FAPDF não seria possível montar a equipe, fortemente estruturada por estudantes de iniciação científica, nem realizar as atividades de pesquisa”, afirma o coordenador.
Alfabetização transmídia
“A alfabetização transmídia compreende o domínio e o uso de conteúdos produzidos, publicados e consumidos em mais de um meio de comunicação, envolvendo a interação dos usuários em diferentes plataformas digitais”
Alexandre Kieling, pesquisador
A chamada alfabetização transmídia se refere à capacidade de utilizar diferentes meios e plataformas digitais para acessar, produzir e compartilhar conteúdos. O conceito foi desenvolvido por pesquisadores da área de comunicação para explicar como as narrativas e as interações circulam em múltiplos ambientes de mídia. Nesse cenário, os usuários não apenas consomem conteúdos, mas também participam ativamente da sua circulação e produção.
“A alfabetização transmídia compreende o domínio e o uso de conteúdos produzidos, publicados e consumidos em mais de um meio de comunicação, envolvendo a interação dos usuários em diferentes plataformas digitais”, explica o pesquisador Alexandre Kieling.
De consumidores a “produsers”
Um dos fenômenos observados nesse ambiente digital é o surgimento do chamado “produser”, termo que combina as palavras produtor e usuário.
O conceito descreve a atuação de pessoas que, ao mesmo tempo em que consomem conteúdos, participam da sua produção e circulação nas redes digitais. Isso ocorre quando espectadores comentam programas de televisão nas redes sociais, criam vídeos sobre temas de interesse ou compartilham conteúdos informativos com seus próprios públicos.
Nesse contexto, o comportamento multitela — em que as pessoas utilizam diferentes dispositivos e plataformas simultaneamente — amplia as possibilidades de interação e participação nas narrativas digitais.
Investigando o comportamento em múltiplas telas
Para compreender esse fenômeno, a pesquisa reuniu estudantes, universitários e professores em atividades de observação e coleta de dados. Entre as metodologias utilizadas estão entrevistas, questionários estruturados e dinâmicas em laboratório, nas quais os participantes apresentaram seus aplicativos e explicaram como utilizam as plataformas digitais no cotidiano.
O estudo buscou identificar quais dispositivos são mais utilizados, que tipos de conteúdos são consumidos e como ocorre a interação entre usuários e mídias. “Queríamos entender como os jovens utilizam essas plataformas, o que consomem, o que produzem e quais estratégias usam para se movimentar nesse ambiente digital”, afirma o pesquisador.
Os resultados indicam que o smartphone ocupa papel central nesse processo, funcionando como principal ferramenta de acesso, produção e compartilhamento de conteúdos.
Impactos para educação e comunicação
A pesquisa também aponta possíveis impactos para o campo educacional. Os dados indicam que, além de conteúdos de entretenimento, os jovens também acessam materiais educativos em ambientes digitais.
Segundo o pesquisador, compreender esse comportamento pode ajudar escolas e universidades a desenvolver estratégias pedagógicas mais conectadas com as linguagens e plataformas utilizadas pelos estudantes.
A pesquisa também resultou na publicação da coletânea digital Alphamídia, que reúne reflexões e análises sobre o fenômeno da alfabetização transmídia e o comportamento das audiências em ambientes digitais. A obra foi avaliada com nota máxima (L1) pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) na última avaliação quadrienal, reconhecimento que destaca a relevância científica da produção acadêmica associada ao projeto.
*Com informações da FAPDF









