GDF investiu R$ 89 milhões em plano de recuperação de viadutos

O desabamento parcial de um viaduto no Eixão Sul, em 6 de fevereiro de 2018, na altura da Galeria dos Estados, expôs a fragilidade de estruturas viárias construídas há mais de meio século no Distrito Federal. O episódio não deixou vítimas, mas evidenciou a necessidade de intervenções estruturais profundas em pontes e viadutos da capital.

Desde 2019, o Governo do Distrito Federal (GDF) passou a executar uma política permanente de viadutos, baseada em dois eixos complementares: a recuperação e prevenção estrutural de obras antigas, muitas delas sem intervenções profundas desde a inauguração de Brasília, e a construção de novos viadutos e complexos viários, voltados à ampliação da capacidade do sistema viário e à eliminação de gargalos históricos.

“Essas estruturas já tinham ultrapassado a vida útil prevista para o concreto. Depois de cerca de 50 anos, o material precisa passar por uma recuperação estrutural para continuar seguro”, afirma Carlos Alberto Spies, diretor de Planejamento e Projetos da Novacap. “Não se trata de estética, mas de segurança e de garantir uma nova vida útil às estruturas.”

Entre 2019 e 2025, esse conjunto de intervenções soma cerca de R$ 89 milhões, incluindo obras no Eixão, reformas no Plano Piloto, a Ponte Honestino Guimarães e estruturas monitoradas em outras regiões administrativas | Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

Recuperação e prevenção

O primeiro eixo dessa política concentra as ações de recuperação estrutural, reforço técnico e prevenção, voltadas a pontes e viadutos antigos. Entre 2019 e 2025, esse conjunto de intervenções soma cerca de R$ 89 milhões, incluindo obras no Eixão, reformas no Plano Piloto, a Ponte Honestino Guimarães e estruturas monitoradas em outras regiões administrativas.

No Eixão, desde 2019, seis viadutos do Eixo Rodoviário Norte e Sul passaram por recuperação estrutural, com investimento de R$ 42,7 milhões. Outros dois seguem em obra. “Foi a primeira vez que houve uma recuperação estrutural profunda no Eixão desde a construção de Brasília”, afirma Spies. “Esses viadutos nunca tinham passado por uma intervenção desse porte.”

Segundo o diretor, a execução das obras revelou um comprometimento maior do que o indicado pelas inspeções iniciais. “Quando a obra começou, a gente percebeu que a estrutura estava mais comprometida do que mostrava a inspeção visual. Encontramos fissuras abertas, vigas e longarinas com problemas e peças começando a se desprender da laje.” “Havia risco de colapso”, diz. “O que não dava para prever era quando isso poderia acontecer.”

No Eixão, desde 2019, seis viadutos do Eixo Rodoviário Norte e Sul passaram por recuperação estrutural, com investimento de R$ 42,7 milhões | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

Diante do diagnóstico, a Novacap acionou a Defesa Civil, antecipou o escoramento das estruturas e reformulou o projeto original. “Um viaduto novo custaria em torno de R$ 30 milhões. A reconstrução a partir da fundação ficaria perto de R$ 28 milhões. Com a recuperação estrutural, conseguimos resolver com cerca de R$ 24 milhões”, explica Spies. “Além disso, ganhar tempo foi fundamental para reduzir o impacto na mobilidade.”

Construção de novos viadutos e grandes complexos

Paralelamente às ações de recuperação e prevenção, o GDF avançou na construção de novos viadutos e complexos viários, voltados à ampliação da capacidade do sistema viário e à reorganização de fluxos regionais.

Entre as obras entregues estão os viadutos da Estrada Setor Policial Militar (ESPM), o Viaduto Luiz Carlos Botelho, no Sudoeste, os viadutos de Sobradinho, do Recanto das Emas/Riacho Fundo II, do Riacho Fundo, do Itapoã/Paranoá e do Jardim Botânico, além da reforma do Viaduto Ayrton Senna e do reforço estrutural de dois viadutos sobre a Via N2, no Plano Piloto. Destaque para o Complexo Viário Governador Joaquim Roriz, entregue em 2021, que reúne 28 km de vias, 23 viadutos e quatro pontes, com investimento de R$ 220 milhões e fluxo diário estimado em cerca de 100 mil veículos.

Outras frentes incluem o Corredor Eixo Oeste/EPIG, em execução, que prevê nove viadutos e integra o sistema viário do Túnel de Taguatinga, e o viaduto de Planaltina, em construção na BR-020, com investimento de R$ 65,6 milhões, beneficiando cerca de 90 mil motoristas por dia.

O Viaduto Luiz Carlos Botelho, no Sudoeste, é uma das obras entregues pelo GDF

Transtornos temporários, ganhos permanentes

Usuário frequente do Eixão, o estagiário de tecnologia da informação Roger Dias Quinelato, que trabalha no Tribunal de Contas da União (TCU), afirma que os transtornos fazem parte do processo. “Toda reforma de prevenção é importante. Essa obra no coração de Brasília é muito importante, mesmo que cause transtornos temporários”, diz.

Segundo ele, as mudanças no trânsito exigiram adaptação, mas são justificáveis. “Mudou bastante o trânsito, mas é necessário fazer essa manutenção para evitar situações mais graves, como já aconteceu no passado.”

Monitoramento contínuo

Segundo Spies, a política adotada pelo GDF prevê acompanhamento permanente das chamadas obras de arte especiais. “Hoje existe um comitê técnico que faz inspeções em campo, monitoramento e definição de prioridades. A ideia é antecipar problemas, não reagir quando acontece um acidente.”

“Com a implantação de tecnologias como vigas protendidas, a gente aumenta a capacidade de carga e estende significativamente a vida útil dessas estruturas”, conclui. “Quando a obra termina, o cidadão vê menos concreto novo e mais segurança. E isso, para a engenharia, é o que mais importa.”

 

Agencia Brasília

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