O Hospital Cidade do Sol (HSol), unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), foi convidado pelo Ministério da Saúde para apresentar sua experiência em cuidados paliativos em um evento nacional que marcará os dois anos da Política Nacional de Cuidados Paliativos, comemorados em maio. O convite foi feito durante visita técnica realizada nesta quarta-feira (29), quando a equipe federal conheceu de perto o modelo de atendimento desenvolvido na unidade.
“Receber esse convite é motivo de satisfação e realização. Mostra que estamos no caminho certo e que o nosso trabalho tem feito diferença. Além disso, é uma oportunidade de representar o Centro-Oeste”, comemora o gerente-geral substituto do HSol, Leandro Queza.
Segundo a coordenadora do Núcleo Nacional de Cuidados Paliativos do Ministério da Saúde, Gabriela Hidalgo, o cuidado paliativo ainda é recente, mas apresenta grande potencial. “Queremos levar exemplos que estão dando certo, e o trabalho desenvolvido aqui é um deles”, frisa.
Modelo que humaniza a assistência
Referência no Distrito Federal, o Hospital Cidade do Sol se destaca pela assistência voltada a pacientes com doenças graves ou que ameaçam a vida, com foco no conforto, na dignidade e na qualidade de vida. A visita teve como objetivo conhecer o funcionamento desse atendimento na prática, além de promover a troca de experiências e discutir estratégias para ampliar esse tipo de assistência no Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o chefe do Núcleo de Cuidados Paliativos do IgesDF, o médico paliativista Arthur Amaral, ainda existe uma compreensão equivocada sobre esse tipo de assistência. “É importante entender que cuidados paliativos não são apenas para pacientes em fim de vida. Eles devem ser oferecidos a qualquer pessoa com doença grave, que traga sofrimento. O nosso objetivo é garantir mais conforto, dignidade e qualidade de vida”, explica.
O gestor destaca ainda que esse modelo contribui diretamente para a humanização da assistência. “Não é desistir do paciente. Pelo contrário, é cuidar melhor, de forma integrada”, completa.
Durante a visita, Gabriela Hidalgo, ressaltou como diferencial do HSol a integração entre os serviços de saúde. “Aqui existe uma articulação entre hospital, unidades de pronto atendimento (UPAs) e outras unidades, o que facilita a identificação e o encaminhamento dos pacientes que precisam desse cuidado. Isso faz toda a diferença para quem vive com uma condição grave e precisa de acolhimento”, afirma.
O modelo apresentado pela unidade também se destaca pela rápida expansão. O Hospital Cidade do Sol iniciou suas atividades, em junho de 2025, com 10 leitos exclusivos de cuidados paliativos. Atualmente, já conta com 25 leitos, e a meta é alcançar 60, sendo 24 com suporte para hemodiálise, o que pode consolidar o hospital como referência nacional na área.
Dados do serviço reforçam esse crescimento. Entre junho e dezembro de 2025, 114 pacientes foram encaminhados ao HSol, oriundos de diferentes unidades da rede pública, como o Hospital de Base, o Hospital Regional de Santa Maria e diversas UPAs do Distrito Federal. O perfil dos pacientes indica média de idade de 72 anos, com casos que variam de 23 a 103 anos, além de uma distribuição equilibrada entre homens e mulheres.
Como funcionam os cuidados paliativos
Na prática, pacientes atendidos na rede pública de saúde do Distrito Federal são identificados por equipes médicas capacitadas quanto à necessidade de cuidados paliativos. A partir dessa avaliação, quando há indicação, o paciente é encaminhado de forma regulada para o Hospital Cidade do Sol ou se houver indicação para o Hospital de Apoio de Brasília (HAB), unidades de referência nesse tipo de atendimento.
“No dia a dia, o fortalecimento dos cuidados paliativos representa mais qualidade de vida para pacientes e familiares. Essa abordagem atua no controle da dor, no suporte emocional e no cuidado integral, sempre respeitando as necessidades e desejos de cada paciente”, explica o chefe do Núcleo de Cuidados Paliativos do IgesDF.
No HSol, o atendimento é realizado por uma equipe dedicada, composta por psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, fonoaudiólogos e fisioterapeutas. Em conjunto com médicos e familiares, esses profissionais constroem um plano antecipado, centrado no paciente.
*Com informações do IgesDF









