Oito unidades de ensino da rede pública estão recebendo a segunda temporada do projeto O Bê a Bá do Berimbau, uma iniciativa viabilizada por recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC-DF), vinculado à Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF). Com o objetivo de aproximar os alunos dos saberes ancestrais e da identidade afro-indígena, a programação segue aberta à comunidade escolar até o próximo dia 27, oferecendo apresentações gratuitas de capoeira e outras manifestações artísticas tradicionais do país.
Cronograma e turnos nas instituições
Para atender tanto o público do período matutino quanto o vespertino, os espetáculos ocorrem sempre em dois horários, às 10h e às 14h, totalizando 16 exibições nas escolas contempladas. A largada ocorreu no dia 28 de outubro na Escola Classe 07 de Planaltina. Após passar por São Sebastião, o roteiro deste mês contempla unidades localizadas em Brazlândia, Riacho Fundo, Santa Maria, Recanto das Emas, Gama e Paranoá.
Importância pedagógica e apoio estatal
O secretário de Cultura e Economia Criativa, Fernando Modesto, destaca que a iniciativa funciona como um reforço prático ao conteúdo ensinado em sala de aula sobre a formação da sociedade brasileira: “Quando a capoeira chega às escolas, ela aproxima os estudantes de uma parte fundamental da nossa história, construída também pelos saberes e pelas tradições dos povos africanos e indígenas”.
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O gestor também enfatiza o papel do investimento público na preservação das raízes nacionais: “Ao destinar recursos do FAC-DF para iniciativas como O Bê a Bá do Berimbau, o Governo do Distrito Federal contribui para que essas manifestações culturais sejam conhecidas e valorizadas pelas novas gerações, transformando o ambiente escolar em um espaço vivo de formação cidadã”.
Origem e diversidade artística
Fundado em 2019 pelo grupo Bando Matilha Capoeira, sediado no Gama, o projeto propõe uma imersão em diferentes vertentes da cultura popular, abrangendo o maculelê, a dança do bastão, a puxada de rede e a tradicional roda de capoeira. A primeira temporada ocorreu em 2021, passando por cinco escolas gamaenses — Escola Classe Córrego Barreiro, Escola Classe 25, Centro de Ensino Especial 01, Centro de Ensino Fundamental Tamanduá e Centro Educacional 06 —, além de alcançar palcos em estados como Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Goiás.
O idealizador e diretor da proposta, Thalisson Marinho, conhecido como Contramestre Tá Ligado, aponta o intuito de dar visibilidade a narrativas e figuras historicamente marginalizadas nos currículos tradicionais: “A história do Brasil vai além dos livros didáticos”, aponta. “Ela vive na oralidade, nos corpos, nos cantos e nos saberes transmitidos por gerações de mestres e mestras. Com O Bê a Bá do Berimbau, queremos convidar estudantes e educadores a refletirem sobre as histórias que foram silenciadas e o protagonismo dos povos afro-indígenas na construção do nosso país.”
Para fechar, o criador resume a essência do trabalho realizado nos palcos escolares: “Por meio da capoeira, o espetáculo valoriza a ancestralidade, a resistência e os saberes que formam a essência da nossa brasilidade e a potência cultural das periferias do Brasil”.










