Letramento racial qualifica combate ao racismo religioso no DF

Formação reúne especialistas e servidores para aprimorar o acolhimento de vítimas e o reconhecimento de violações de direitos fundamentais.
Letramento racial ajuda a fortalecer o combate ao racismo religioso

A Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF), por meio do Conselho Distrital de Promoção da Igualdade Racial (Codipir), promoveu uma capacitação estratégica focada no combate ao preconceito. O curso, que reuniu cerca de 100 participantes na sede do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), teve como objetivo central instrumentalizar profissionais na identificação, compreensão e enfrentamento das diversas formas de racismo religioso.

A importância da formação institucional

O encontro, que integrou o projeto Letrar para Transformar, foi ministrado por Hédio Silva Junior, advogado e pesquisador com vasta trajetória em organismos internacionais como a ONU, Unesco e Unicef. A iniciativa buscou debater estratégias práticas para lidar com violações de direitos e oferecer um panorama sobre as manifestações discriminatórias que ainda persistem na sociedade. Para o especialista, a adesão do sistema de justiça é um passo fundamental. “Quando uma instituição estratégica como o Ministério Público pauta esse tema, sinaliza que ele é relevante e movimenta esforços na direção da promoção da diversidade”, enfatizou o pesquisador.

Qualificação no atendimento ao cidadão

Um dos pilares da capacitação foi o aprimoramento do atendimento prestado nos serviços públicos, com o intuito de evitar a revitimização de quem busca ajuda. A delegada-chefe adjunta da Decrin, Cyntia Cristina de Carvalho e Silva, destacou que a preparação dos servidores é vital para garantir que a vítima encontre suporte adequado. “Uma pessoa discriminada precisa ser recebida por um profissional qualificado, que saiba identificar o que é racismo e garantir que ela seja acolhida nos serviços públicos”, frisou.

O promotor de Justiça João Antônio Sá Lima reforçou essa visão, ressaltando que o domínio sobre o tema é essencial para que os operadores do direito possam atuar de forma mais precisa e justa. “Esse aprendizado é uma ferramenta para compreender melhor os fatos e atuar melhor, seja como promotor, advogado, servidor ou cidadão”, resumiu.

Perspectiva das comunidades tradicionais

O debate também trouxe à tona a realidade das comunidades de matriz africana, que sofrem com ataques a terreiros e episódios de intolerância que atingem desde adultos até crianças em ambiente escolar. O babá Aurélio de Odé, membro do Codipir, defendeu que a educação é a principal via para a mudança de comportamento social. “O racismo religioso precisa ser combatido por meio da educação, preparando as crianças de hoje para serem adultos que respeitem a diversidade”, declarou.

A ação reforça a necessidade de políticas públicas continuadas que utilizem o letramento racial como base para construir um ambiente mais tolerante e consciente sobre a diversidade religiosa no país.

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