Pesquisa do Distrito Federal é selecionada para congresso na Áustria

Trabalho científico analisou dados de 1.345 pacientes e revelou disparidades na adesão ao tratamento de insuficiência adrenal pelo SUS
Pesquisador do DF apresenta estudo sobre tratamento no SUS em congresso internacional

Um trabalho científico desenvolvido no Distrito Federal foi selecionado para apresentação no ISPOR Europe 2026, um dos principais eventos mundiais sobre economia da saúde e avaliação de resultados. O estudo, que aborda o atendimento da insuficiência adrenal no SUS, foi elaborado em parceria com o Ministério da Saúde pelo pesquisador Francino Machado de Azevedo Filho, vinculado ao Centro de Inovação em Saúde (CIESP) da Escola de Saúde Pública do DF e à Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs).

Detalhes da pesquisa e conferência internacional

A conferência global ocorrerá entre os dias 8 e 11 de novembro no Austria Center Vienna, na Áustria, reunindo especialistas internacionais para debater o uso de evidências científicas e políticas públicas. Intitulado Um protocolo nacional, muitas realidades locais, o projeto examinou o funcionamento prático do protocolo terapêutico no Brasil durante o biênio 2024-2025, utilizando informações públicas do DataSUS.

A condição investigada surge quando as glândulas suprarrenais param de sintetizar hormônios vitais, principalmente o cortisol, exigindo reposição contínua para evitar crises severas e fatais. A análise debruçou-se sobre mais de 870 mil registros referentes a internações, custos, óbitos e dispensação de fármacos, acompanhando 1.345 pessoas em todo o território nacional.

Desigualdades na adesão terapêutica nacional

O levantamento revelou disparidades consideráveis na adesão ao tratamento entre as diferentes unidades federativas brasileiras, registrando taxas que oscilaram entre 0,9% e 83%. “O tratamento segue as mesmas diretrizes em todo o país, mas cada estado tem uma realidade diferente. O estudo oferece informações que podem ajudar a atualizar o protocolo nacional. Isso significa que a ciência produzida no Distrito Federal está ajudando a orientar uma política pública que poderá beneficiar pacientes de todo o país”, explicou Francino.

Em contrapartida, o cenário local destacou-se positivamente na análise. “O Distrito Federal apresentou resultados expressivos. A cada oito pacientes diagnosticados com a doença, conseguimos oferecer o tratamento adequado a sete. Esse índice é praticamente o dobro da média nacional. No DF, quando o paciente chega à rede de saúde, consegue receber o tratamento adequado. A rede funciona e apresenta bons resultados”, afirmou o pesquisador.

Trajetória do autor e relevância global

Enfermeiro com mestrado e doutorado pela Universidade de Brasília (UnB), além de estágio doutoral na University of Florida (EUA), Francino acumula mais de 15 anos de atuação na área e passagens por cargos de gestão na Secretaria de Saúde do DF. Para ele, a aceitação do artigo no exterior valida a qualidade técnica da produção acadêmica regional. “Mostra que a ciência produzida no Distrito Federal está no mesmo nível dos trabalhos apresentados nos principais centros de pesquisa do mundo. Nosso estudo passou por uma avaliação de pesquisadores internacionais da área, que selecionaram o trabalho para apresentação”, concluiu.

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