A unidade de radioterapia do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) atendeu 262 pacientes nos quatro primeiros meses de 2026, alta de 259% em comparação com o mesmo período de 2025, quando 73 pessoas passaram pelo serviço. A ampliação está vinculada ao programa “O câncer não espera. O GDF também não”, do Governo do Distrito Federal (GDF), que triplicou a oferta de vagas na unidade.
Entre janeiro e abril de 2026, o serviço ofertou 335 vagas, mais que o triplo das 92 disponibilizadas no mesmo período de 2025. A média mensal de atendimentos passou de cerca de 18 pacientes em 2025 para mais de 65 em 2026. A chefe substituta da Radioterapia do HRT, Aline Ribas, atribui o avanço ao reforço das equipes e à ampliação da capacidade operacional da unidade. “Tivemos servidores lotados aqui, entre enfermeiros, físicos, técnicos de radiologia e técnicos de enfermagem. Isso veio para somar e ajudar a disponibilizar mais vagas para o sistema de regulação”, afirma.
Segundo ela, o atendimento humanizado também é uma marca do serviço. “Aqui, o paciente está sempre em primeiro lugar. Desde a recepção até a revisão médica, esse acolhimento faz diferença para que o paciente se sinta seguro e esperançoso”, destaca. Em 2025, a unidade somou 424 atendimentos no ano inteiro. Em 2026, em quatro meses, o serviço chegou a 262, mais de 60% do total do ano anterior.
O supervisor de proteção radiológica da unidade, o físico médico Thyago Mangabeira, explica que a reorganização interna e o reforço das equipes permitiram ampliar significativamente a capacidade do serviço. “Conseguimos mais físicos, aumento de carga horária e uma melhor distribuição das equipes. Isso aumentou a eficiência na recepção dos pacientes e a taxa de conversão dos atendimentos”, relata.
Segundo o profissional, a unidade passou a operar em dois turnos com a presença de físicos médicos. “Antes, funcionávamos apenas em um turno. Com a adequação das equipes e a chegada de mais profissionais, dobramos nossa capacidade de atendimento em termos de horário de trabalho”, explica.
Mangabeira também destaca o trabalho integrado das equipes multiprofissionais. “Na radioterapia, não existe divisão simples de tarefas. Trabalhamos efetivamente em grupo. Isso garante um cuidado integral, desde a recepção até a alta do paciente”, afirma.
O físico médico ressalta ainda a complexidade tecnológica da estrutura do HRT. “O equipamento que temos aqui é um acelerador de partículas de altíssima complexidade, que utiliza feixes de elétrons e fótons para tratar os pacientes. Ter acesso a esse tipo de tecnologia dentro do SUS é algo muito significativo”, avalia.
Fila da radioterapia cai 75% no DF
Entre março de 2025 e abril de 2026, a fila da radioterapia no Distrito Federal caiu 75%, de 630 para 156 pacientes em espera. O tempo médio de espera diminuiu 72%, de 87 para 24 dias. No mesmo intervalo, o programa “O câncer não espera. O GDF também não” atendeu 4.094 pacientes em radioterapia, em três hospitais da Secretaria de Saúde (SES-DF) e quatro clínicas privadas. Foram 2.234 novos pacientes na rede do SUS e 1.860 na rede contratada.
Na fila oncológica, a redução foi de 21% no período: a fila caiu de 889 para 701 pacientes em espera. O tempo médio de espera diminuiu 58%, de 81 para 34 dias. No mesmo intervalo, foram 5.531 pacientes atendidos, em três hospitais da Secretaria de Saúde do Distrito Federal e oito clínicas privadas.
Da quimioterapia à reta final da radioterapia
Maria Sufia de Miranda, de 55 anos, faz tratamento contra câncer de mama no Centro de Radioterapia do HRT. Após quimioterapia e três cirurgias, está na 9ª das 15 sessões de radioterapia previstas. Ela conta que encontrou acolhimento desde o primeiro atendimento. “Fui muito bem recebida. Os médicos, as enfermeiras, os técnicos, toda a equipe me deram apoio e carinho. O atendimento aqui foi maravilhoso”, relata.
Maria Sufia afirma que a proximidade da unidade facilitou a continuidade do tratamento. “Depois que cheguei aqui, fui atendida rapidamente. E fazer radioterapia perto de casa ajudou muito, porque, nesse período, a gente fica fragilizada também financeiramente”, diz. A paciente também elogia o ambiente da unidade e o tratamento humanizado. “Aqui, todo mundo é tratado com respeito, atenção e pontualidade. Você chega mais tranquila para enfrentar um momento tão difícil”, afirma.
Já na reta final do tratamento, Maria Sufia comemora a remissão da doença. “Estou muito feliz. Graças a Deus, está dando tudo certo”, celebra.









