Histórias de superação e a busca pela autonomia marcaram o IV Encontro das Pessoas com Estomia e o II Simpósio de Assistência à Pessoa com Estomia, realizado no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM). Administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), o evento teve como tema central viver com estomia e reuniu pacientes, residentes e profissionais de saúde para debater rotinas, cuidados e a qualidade de vida de quem utiliza a bolsa coletora.
Cuidados essenciais com a pele e alimentação Durante a programação, especialistas destacaram que a prevenção de irritações e lesões ao redor do estoma exige atenção redobrada com a vedação e a escolha correta dos equipamentos. A nutricionista Laryssa Paz explicou que as orientações dietéticas são individualizadas conforme a resposta de cada organismo para evitar gases, desconfortos e alterações na consistência das fezes.
“O paciente precisa conhecer melhor a resposta do próprio organismo aos alimentos. Dependendo da forma de preparo e da quantidade consumida, podem ocorrer alterações na consistência das fezes, produção de gases e desconfortos. Nosso papel é orientar e acompanhar essa adaptação para que ele tenha uma alimentação adequada e qualidade de vida”, afirmou a nutricionista, pontuando que algumas pessoas podem necessitar de suplementação.
- 📱 Favorite o Agita Brasília no Google e acompanhe as principais notícias do dia
- ✅ Clique aqui para seguir o canal do Agita Brasília no WhatsApp
Superação de medos e retomada da rotina Enquanto Lucimaria Oliveira, que utiliza uma bolsa definitiva após tratar um câncer intestinal, compartilha sua trajetória nas redes sociais para encorajar outras pessoas, Raimunda Cavalcante relatou o longo processo para superar o medo e o isolamento inicial. O polo de atendimento do HRSM acompanha atualmente cerca de 180 pessoas, oferecendo suporte contínuo para a troca de insumos e orientações diárias.
“O nosso trabalho vai além de ensinar a trocar uma bolsa”, detalhou a gerente de Cuidados Ambulatoriais do HRSM, Raiane Alves. “Queremos que o paciente conquiste autonomia e segurança para cuidar de si mesmo. Ele precisa aprender a lidar com o equipamento, reconhecer possíveis alterações e entender que pode retomar suas atividades, respeitando suas condições de saúde.”
Tipos de estomia e possibilidades de reversão O procedimento cirúrgico consiste em uma abertura para conectar um órgão interno ao meio externo, viabilizando a eliminação de resíduos ou o suporte a funções específicas em casos de traumas, obstruções ou doenças graves. O gerente de Serviços Cirúrgicos do HRSM, Franklin Santos, esclareceu que nem sempre o dispositivo é permanente.
“Em muitos casos, a estomia é realizada porque houve uma doença intestinal que exigiu uma intervenção para que o paciente pudesse superar aquela situação”, explicou o gerente de Serviços Cirurgicos do HRSM, Franklin Santos. “Mas isso não significa, necessariamente, que a bolsa será definitiva. Sempre que houver indicação e condições clínicas, é importante avaliar a possibilidade de reconstrução do trânsito intestinal.”
Apoio emocional e visibilidade A iniciativa também buscou reduzir estigmas e ampliar o acolhimento aos pacientes. O presidente da Comissão de Prevenção e Cuidados com a Pele e Estomias (CPCPE) do HRSM, Eduardo Loiola, destacou a importância de escutar essas pessoas. “Muitas vezes, o paciente com estomia não é ouvido como deveria”, enfatizou. Para a residente de enfermagem Eliene Maria de Jesus, o debate fortalece a assistência e prepara melhor os profissionais para lidar com o público.










