A ida rotineira ao consultório odontológico vai muito além da higiene básica, sendo uma estratégia fundamental para o diagnóstico precoce do câncer de boca. Durante a Semana Nacional de Prevenção do Câncer Bucal, que segue até o dia 7 de novembro, especialistas alertam que a identificação rápida da patologia é o fator determinante para elevar as chances de sucesso no tratamento, que podem chegar a 90% quando a doença é detectada em seus estágios iniciais.
A importância da detecção rápida
Embora seja uma condição grave, com uma taxa de mortalidade que alcança os 45% devido a complicações, o prognóstico melhora drasticamente com o acompanhamento médico ágil. “Quanto mais precoce é o diagnóstico, maior a taxa de sucesso desse tratamento”, afirma a cirurgiã-dentista Renata Nemetala, especialista em estomatologia do Centro de Especialidade Odontológica de Sobradinho. Mesmo nos casos de recuperação, pacientes podem enfrentar sequelas permanentes, como dificuldades severas para se alimentar ou ingerir líquidos.
Fatores de risco e prevenção
O combate à doença passa necessariamente pelo controle de hábitos nocivos. O consumo de álcool, quando combinado ao tabagismo, potencializa drasticamente os danos aos tecidos bucais. “O principal vilão ainda é o cigarro e afins, isto é, o cigarro comum, o cigarro eletrônico, o cachimbo, o tabaco, o cigarro de rolo, enfim, todos os tipos de fumo. E os efeitos são agravados com o uso do álcool” Renata Nemetala, cirurgiã-dentista especialista em estomatologia do Centro de Especialidade Odontológica de Sobradinho.
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Além de evitar o fumo, especialistas recomendam uma dieta rica em frutas e verduras, o uso de proteção solar nos lábios e a vacinação contra o HPV, vírus que possui relação direta com o surgimento de tumores na região oral.
Fluxo de atendimento no Distrito Federal
No Distrito Federal, a rede pública possui uma estrutura robusta para o rastreio da enfermidade. As 334 equipes de saúde bucal da Atenção Primária estão capacitadas para identificar sinais de alerta, como manchas brancas ou avermelhadas, feridas que não cicatrizam, nódulos ou áreas endurecidas, frequentemente localizadas na língua ou lábios.
Quando uma lesão suspeita é detectada, o paciente é encaminhado para um dos 14 Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs) da região, onde biópsias são realizadas para confirmar o quadro. Caso o diagnóstico seja positivo, o tratamento hospitalar — que engloba cirurgias, quimioterapia e radioterapia — é integrado com as equipes de atenção básica para garantir o suporte contínuo.
“O trabalho é integrado entre os diferentes níveis de atenção. O principal objetivo é garantir que o paciente tenha acesso oportuno ao diagnóstico e ao tratamento, reduzindo o tempo entre a identificação da lesão suspeita e o início da assistência”, destaca a gerente de Serviços de Odontologia da SES-DF, Daniela Marques de Sousa.










