O número de atendimentos por síndromes gripais na rede pública do Distrito Federal caiu 41,1% entre janeiro e maio de 2026. Foram 82,7 mil registros neste ano, ante 140,7 mil no mesmo período de 2025, segundo a Secretaria de Saúde (SES-DF). Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) recuaram 24% na mesma comparação. A redução ocorreu em um período de vacinação contra doenças respiratórias, orientação sobre sinais de alerta e reforço da procura precoce pelas unidades básicas de saúde (UBSs), fatores que podem estar relacionados à queda.
Na UBS 4 do Guará, no Lúcio Costa, a médica Camila Damasceno, referência técnica em medicina da família e comunidade, citou medidas de proteção contra doenças respiratórias, como a atualização da caderneta de vacinação e os cuidados para evitar a transmissão de vírus respiratórios. “Além da vacina contra o VSR [vírus sincicial respiratório], a gente tem a vacina contra a influenza, que todo ano é ofertada nessa época, quando começa a sazonalidade das viroses respiratórias, que aqui no DF é entre março e julho. A vacinação contra a influenza, contra covid-19 e contra o VSR ajuda a reduzir o risco de casos graves, internações e óbitos”, afirmou.
A vacina contra o vírus sincicial respiratório é indicada para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. A proteção é transferida da mãe para o bebê durante a gestação e ajuda a reduzir o risco de formas graves de bronquiolite nos primeiros meses de vida.
A imunização contra influenza é atualizada anualmente conforme os vírus em circulação. A campanha de 2026 começou em março, voltada aos grupos prioritários: crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, idosos a partir dos 60 anos, pessoas com comorbidades ou deficiência, trabalhadores da saúde, professores e outros públicos com maior exposição ou risco.
A vacinação contra a covid-19 segue no calendário para públicos específicos. Idosos a partir dos 60 anos devem receber uma dose a cada seis meses. O imunizante também integra a rotina de gestantes e de crianças de 6 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias.
Camila reforçou a importância de manter a caderneta em dia. “A vacinação é o principal meio que a gente tem de prevenir casos graves, internações e óbitos. Procure seu posto de saúde, peça para a equipe olhar sua caderneta de vacinação e veja se está faltando alguma coisa, mas não deixe de se vacinar”, orientou.
Quando procurar atendimento médico
As UBSs são a porta de entrada para a avaliação dos sintomas respiratórios. Febre por mais de 72 horas, retorno da febre depois de 48 horas sem o sintoma, dificuldade para respirar, respiração acelerada e cansaço são sinais de alerta. Diante deles, a recomendação é procurar atendimento. Fora do horário de funcionamento das UBSs, a orientação é buscar um pronto-socorro.
A técnica de laboratório Thainá Stephany Magalhães, 27 anos, foi à UBS 4 do Guará para atualizar a vacinação da filha e já se vacinou contra a gripe. A dose da criança ficou agendada para os próximos dias.
“Acho muito importante a vacinação porque previne e, se vier a pegar [gripe], os sintomas ficam mais brandos. Quando a gente se previne, protege os outros também”, disse. “Para as mães, o recado é não ter medo de vacinar. Vai dar tudo certo.”
A secretária Dinha Magalhães, 51 anos, também passou pela unidade em busca da vacina. Enquanto aguarda a liberação da vacina para seu grupo, ela mantém o uso de máscara e pretende voltar assim que puder. “Todos os anos eu venho tomar a vacina e, desde que tomo, não fico com aquela gripe horrível. Quem já está na faixa etária deve vir logo. Não tem fila, é rapidinho e não dói”, afirmou.
A vacinação é feita nas salas de vacina das UBSs, conforme a faixa etária e o grupo indicado para cada imunizante. É preciso apresentar documento de identificação e, quando possível, a caderneta de vacinação. Grupos prioritários por condição de saúde ou atividade profissional devem levar documento comprobatório, segundo a SES-DF.
O fortalecimento das UBSs também passa pela ampliação das equipes da rede pública. No início do mês, a governadora Celina Leão autorizou a contratação de 114 médicos de família e comunidade por meio de contratos temporários. Os profissionais vão atuar na Estratégia Saúde da Família, modelo responsável pelo acompanhamento contínuo dos pacientes e pela porta de entrada da população no SUS.
A rede também será reforçada com 50 profissionais aprovados em concurso vigente, sendo 45 médicos de diferentes especialidades e cinco psiquiatras, a partir de vagas remanescentes. Ao todo, são 164 médicos para ampliar a capacidade de atendimento da rede pública.








